PF apreende celulares de Cláudio Castro em nova operação ligada ao Banco Master
A Polícia Federal realizou, nesta terça-feira (26), uma operação de busca e apreensão na residência do ex-governador do Rio, Cláudio Castro, no Rio de Janeiro. A ação está ligada às investigações que apuram supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.
Agentes federais recolheram dois celulares de Cláudio Castro, sendo um deles novo e outro sem uso, conforme confirmado pela defesa. Esta é a segunda vez em maio que o ex-governador é alvo de busca e apreensão pela PF, a primeira ocorreu no início do mês e estava relacionada à investigação sobre a refinaria Refit.
O advogado de Cláudio Castro, Carlo Luchione, classificou a ação como uma tentativa de perseguição política. Castro, filiado ao PL, deve disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro.
Indícios de tratativas ilícitas e interferência política
Uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que a relação entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pode ter ultrapassado o âmbito institucional. Há indícios de tratativas ilícitas que teriam favorecido a captação de R$ 3,691 bilhões em investimentos no banco, com recursos do Rioprevidência.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) vê elementos consistentes de materialidade e autoria nas investigações. Segundo a PGR, os investimentos bilionários no Banco Master teriam sido viabilizados por meio de relações pessoais e políticas entre Vorcaro e o ex-governador.
Mensagens em celular de Vorcaro iniciaram investigação
A investigação teve início a partir da análise de um celular apreendido com Daniel Vorcaro em uma fase anterior da Operação Compliance Zero. Mensagens encontradas no aparelho sugerem que a liberação de alguns investimentos dependia de alinhamento político com Cláudio Castro.
A PF aponta uma sequência de encontros entre Castro e Vorcaro, seguida de aportes do Rioprevidência no Banco Master. Mudanças na diretoria do fundo e a falta de justificativas técnicas para as aplicações reforçam a suspeita de interferência política indevida.
Suspeita de esquema de corrupção e lavagem de dinheiro
O ministro André Mendonça afirma que os indícios apontam para a existência de um esquema amplo, estável e bem estruturado de corrupção e lavagem de dinheiro, visando o desvio de cifras bilionárias do Rioprevidência. A decisão autorizou a apreensão de documentos, computadores, celulares e dados armazenados em nuvem.
A investigação também aponta a suspeita de uso de intermediários, como a empresa Mídias Promotora e a Planner Corretora de Valores, para aumentar comissões e ocultar o pagamento de vantagens indevidas.
Fonte: G1
