Pastor Elias Cardoso critica ala da Acadêmicos de Niterói e faz previsão sombria
Um pastor da Assembleia de Deus de Perus, em São Paulo, fez declarações polêmicas em um culto nesta segunda-feira (12). Elias Cardoso afirmou que os integrantes da escola de samba Acadêmicos de Niterói que participaram de uma ala em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desenvolverão câncer na garganta.
A crítica surge após a agremiação apresentar na Sapucaí uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, com fantasias que simularam famílias religiosas dentro de latas. A representação gerou forte reação de setores evangélicos e lideranças de direita, que consideraram a ala uma provocação à sua fé.
Em vídeo divulgado nas redes sociais da igreja, o pastor disse: “Não vamos responder às provocações que fizeram nas escolas de samba. Tripudiaram em cima da nossa fé, não vamos responder. Vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram”. As informações são do portal UOL.
Repercussão e críticas de figuras políticas
Além da declaração do pastor Elias Cardoso, outras personalidades de direita manifestaram descontentamento. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) usou suas redes sociais para afirmar que o desfile expôs a fé cristã ao escárnio e que a laicidade do Estado não permite zombaria. Ela também cobrou um posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica.
O deputado federal Gilberto Nascimento (PSD-SP), presidente da bancada evangélica, classificou a fantasia como “inadmissível”, alegando que o desfile tratou os conservadores como inimigos. Outros políticos, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também criticaram a ala, associando o episódio a questões eleitorais e a um “ataque à fé de milhões de brasileiros”.
Escola de samba se defende e fala em perseguição
Procurada para comentar as críticas, a Acadêmicos de Niterói não emitiu resposta direta às acusações. No entanto, após o desfile, a agremiação divulgou uma nota oficial em que alega ter sido “perseguida” durante todo o processo carnavalesco.
“Sofremos ataques políticos e enfrentamos setores conservadores”, dizia o comunicado da escola. A nota sugere que a agremiação se sentiu alvo de opositores durante a preparação e execução do seu desfile na Marquês de Sapucaí, reforçando o clima de tensão entre a escola e os grupos críticos à sua apresentação.
Inteligência artificial e reações online
Em resposta à ala da escola de samba, alguns líderes religiosos e representantes de direita utilizaram ferramentas de inteligência artificial para criar imagens de suas próprias famílias dentro de latas. Essa ação foi uma forma de ironizar a representação da Acadêmicos de Niterói e demonstrar o descontentamento com a forma como foram retratados.
Enquanto isso, outros manifestantes afirmaram que buscarão medidas judiciais para contestar o que consideram uma ofensa. A polêmica gerada pela ala do desfile evidencia a polarização política e religiosa presente no país, especialmente em eventos de grande visibilidade como o Carnaval.
Fonte: UOL
