Amarelo é a nova cor dos ônibus do Rio de Janeiro
A cidade do Rio de Janeiro se prepara para uma nova identidade visual nos seus ônibus. Seguindo o exemplo de outros modais de transporte, como os BRTs e os icônicos táxis amarelos, os coletivos convencionais adotarão o amarelo como cor predominante. A medida, determinada pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), visa consolidar uma identidade única para o sistema de transporte público.
A padronização visual já teve tentativas anteriores, como em 2010, quando cores distintas foram atribuídas a cada consórcio. No entanto, essa regra caiu em desuso após oito anos, permitindo que cada viação desenvolvesse sua própria identidade. Agora, com a futura licitação, todos os novos ônibus deverão seguir o padrão definido.
Os atuais operadores também podem aderir à nova padronização, desde que a frota completa seja composta por veículos novos. Um primeiro lote de cem coletivos zero quilômetro com a nova configuração já foi adquirido pela empresa Sancetur, que opera na Zona Oeste sob o nome fantasia Sou Rio. Estes veículos serão apresentados oficialmente em um evento da prefeitura.
Inspiração nos BRTs e identidade cultural
A escolha do amarelo como cor principal para os ônibus convencionais é inspirada no padrão já adotado pelos BRTs desde 2022, quando a empresa pública Mobi Rio assumiu a administração do modal. Atualmente, mais de 700 BRTs amarelos circulam pela cidade, transportando passageiros pelas linhas Transcarioca, Transolímpica, Transoeste e Transbrasil.
O amarelo também é uma cor fortemente associada à identidade carioca, sendo a cor predominante dos táxis, cujo design se tornou patrimônio cultural da cidade em 2017. A Prefeitura reconheceu a importância de preservar essa identidade visual como um elemento da paisagem cultural.
Novas faixas regionais e críticas
Além do amarelo predominante, os ônibus apresentarão uma faixa lateral, frontal e traseira com cores distintas para cada região da cidade. Serão nove opções de cores para identificar áreas como Campo Grande (laranja), Santa Cruz (roxa), Bangu e Realengo (marrom), Barra da Tijuca (azul claro), Jacarepaguá (rosa), Anchieta, Grande Madureira e Grande Méier (verde), Pavuna e subúrbios da Leopoldina (azul escuro), Ilha do Governador (vermelho), e Grande Tijuca, Centro e Zona Sul (cinza).
Essa faixa também será ilustrada por doze pontos turísticos da cidade, como o Pão de Açúcar e os Arcos da Lapa, visando reforçar a identidade carioca. No entanto, a mudança gerou opiniões divergentes. Alguns usuários, como o funcionário público Antônio Machado, expressam desconfiança quanto à legibilidade dos letreiros e à eficácia da padronização. O motorista Valdir Ferreira aponta que muitos passageiros, especialmente idosos, identificam os ônibus pela cor.
O designer gráfico Maurílio Soares destaca a importância da cor para a comunicação visual, mas ressalta que a diferenciação cromática na parte frontal é fundamental. Ele opina que o amarelo, embora vivo e chamativo, pode cansar pelo excesso se for a única cor de destaque. O prefeito Eduardo Paes chegou a comentar que a nova padronização seria “um pouco menos discreta” e com um “grau de cafonice”, seguindo um “padrão lata de azeite”.
A primeira licitação de ônibus sob a nova padronização ocorrerá em 6 de fevereiro, com a Zona Oeste sendo a primeira a ser contemplada. A expectativa é que até 2028 sejam licitados 34 lotes.
Fonte: G1
