Ministério da Cultura homologa tombamento definitivo do prédio do Dops no Rio como lugar de memória traumática

Ministério da Cultura homologa tombamento definitivo do prédio do Dops no Rio como lugar de memória traumática

Prédio do Dops no Rio de Janeiro é tombado como patrimônio histórico e lugar de memória O antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Rio de Janeiro, teve seu tombamento definitivo homologado pelo Ministério da Cultura. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, reconhece o imóvel como um importante marco […]

Resumo

Prédio do Dops no Rio de Janeiro é tombado como patrimônio histórico e lugar de memória

O antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no Rio de Janeiro, teve seu tombamento definitivo homologado pelo Ministério da Cultura. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, reconhece o imóvel como um importante marco na história do Brasil, especialmente em relação aos períodos de repressão política.

A aprovação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em novembro deste ano marca um passo significativo para a preservação da memória. O edifício, inaugurado em 1910, serviu como sede da Repartição Central de Polícia e, entre 1962 e 1975, foi o local onde ocorreram torturas e violências contra presos políticos durante a ditadura militar.

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O tombamento visa homenagear as vítimas e garantir que os erros do passado não se repitam. O presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou que o ato é uma forma de honrar aqueles que lutaram pela liberdade, e que a preservação do local contribui para a conscientização das futuras gerações.

Um Local Marcado pela Repressão e Resistência

O prédio do Dops é o primeiro bem reconhecido pelo Iphan como um lugar de memória traumática. Sua arquitetura, de inspiração francesa, foi projetada para fins policiais, contando com carceragens e salas de depoimento com isolamento acústico. O imóvel, de posse do governo federal, está cedido à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro desde a década de 1960.

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Durante os anos de chumbo, o Dops foi palco de prisões, interrogatórios e torturas de diversos ativistas políticos. Figuras como Nise da Silveira, Abdias Nascimento e Olga Benário passaram pelo local, marcando sua história com a luta pela democracia e direitos humanos.

O Caminho para o Reconhecimento Histórico

O pedido inicial de tombamento data de 2001, feito pela Associação de Amigos do Museu da Polícia Civil, com o objetivo de proteger o valor arquitetônico do edifício. Contudo, o processo se arrastou por anos.

Em 2025, acionado pelo Ministério Público Federal (MPF), o Iphan concluiu o processo de tombamento, com o endosso de organizações da sociedade civil. Essas entidades consideram o prédio um símbolo da violência do Estado e fundamental para a compreensão de um período sombrio da história brasileira.

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Outros Imóveis Históricos Sob Análise

O tombamento do Dops abre precedentes para que outros imóveis com significado histórico semelhante sejam avaliados pelo Iphan. Estão na mira do instituto locais como o Doi-Codi, no Rio de Janeiro, a Casa da Morte, em Petrópolis (RJ), e o Casarão 600, em Porto Alegre, todos utilizados durante a ditadura militar.

Fonte: G1

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