Tombamento Definitivo do Antigo DOPS no Rio é Oficializado pelo Ministério da Cultura
O Ministério da Cultura publicou no Diário Oficial da União (DOU) o tombamento definitivo do prédio que abrigou o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) no Rio de Janeiro. A decisão, aprovada previamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em novembro, visa preservar a memória de um período sombrio da história brasileira.
O edifício, construído em 1910, funcionou como Dops entre 1962 e 1975. Durante esse período, foi palco de torturas e violências contra opositores políticos durante a ditadura militar. Antes disso, entre 1890 e 1946, o local abrigou o Acervo Nosso Sagrado, com itens de religiões de matriz africana apreendidos em operações contra terreiros.
Leandro Grass, presidente do Iphan, destacou que a medida é uma homenagem “àqueles que foram torturados, perseguidos, mortos ou desapareceram por defenderem a liberdade”. Ele ressaltou que o tombamento contribui para que futuras gerações não repitam os erros do passado.
Um Marco para a Memória Traumática
O antigo Dops é o primeiro imóvel reconhecido pelo Iphan como um espaço de memória traumática. A expectativa é que outros locais com histórico similar, como o DOI-CODI (Rio de Janeiro), a Casa da Morte (Petrópolis) e o Casarão 600 (Porto Alegre), também passem por avaliação para tombamento.
Histórico e Arquitetura do Edifício
Projetado em 1910 com arquitetura de inspiração francesa, o prédio foi originalmente concebido para a sede da Polícia Federal. Sua estrutura inclui carceragens, celas de isolamento e salas de interrogatório com tratamento acústico. Desde os anos 1960, o imóvel, pertencente ao governo federal, está cedido à Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Vítimas e Ativistas Passaram pelo DOPS
Ao longo dos períodos de repressão, diversos ativistas políticos foram detidos no Dops. Figuras como Nise da Silveira, Abdias Nascimento e Olga Benário estiveram no local durante a ditadura de Getúlio Vargas. Dulce Pandolfi foi outra que passou pelo prédio na ditadura civil-militar. O edifício se tornou um símbolo de prisões, interrogatórios e torturas.
O Caminho para o Tombamento
A solicitação para o tombamento do Dops data de 2001, feita pela Associação de Amigos do Museu da Polícia Civil, visando proteger seu valor arquitetônico. Após um processo moroso, o Iphan finalizou a avaliação, impulsionado por uma ação do Ministério Público Federal (MPF) e com o apoio de organizações da sociedade civil.
Fonte: G1
