Mãe relata detalhes chocantes sobre a morte do filho recém-nascido em Duque de Caxias
Uma mulher presa pela morte do próprio filho recém-nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, prestou um longo depoimento à Polícia Civil, onde apresentou sua versão dos fatos. Ela descreveu os momentos que antecederam o parto e atribuiu ao companheiro a responsabilidade direta na morte da criança.
Segundo o relato, a mãe descobriu a gravidez poucos meses antes do parto e já havia decidido que não ficaria com o bebê. “Eu pretendia dar a criança ou deixar com o pai. Já tinha deixado bem claro que eu não queria o neném”, declarou.
A mulher contou que sentiu fortes dores após uma queda enquanto corria para pegar um ônibus. Inicialmente, pensou ser apenas consequência do tombo, mas os sintomas se agravaram nos dias seguintes. “Sexta-feira eu cheguei do trabalho já passando muito mal. Durante a madrugada as dores aumentaram muito. Depois eu comecei a sangrar e entendi que já estava em trabalho de parto”, afirmou.
Parto na varanda e pedidos de ajuda
No depoimento, ela tentou contatar o pai da criança para pedir socorro. Quando ele chegou à casa da avó dela, o nascimento já estava em curso. “Ele demorou muito a chegar. Quando chegou, praticamente a criança já estava nascendo”, relatou.
O parto ocorreu na varanda da casa, sobre um pedaço de papelão. A jovem afirmou que o bebê nasceu com vida e, logo após, pediu ao companheiro que retirasse a criança do local, pois ela não o queria. Segundo seu relato, o companheiro também demonstrou não querer o bebê.
“Eu falei que não queria a criança. Aí ele falou que também não queria”, declarou a jovem.
Tentativas de asfixia e entrega ao companheiro
A mulher admitiu ter tentado matar o recém-nascido logo após o nascimento. “Eu sufoquei e vi que não estava resolvendo. Eu tentei apertar o pescoço, mas ele ainda continuava chorando, respirando, o coração batendo”, afirmou aos investigadores.
Devido à sua debilidade física após o parto, ela entregou o bebê ao companheiro. “Eu estava muito fraca. Falei para ele segurar porque eu precisava sentar e tomar um banho”, contou. Ela disse que, após isso, não teve mais contato com a criança, mas o companheiro retornou informando que o bebê ainda apresentava sinais de vida.
“Ele entrou lá e falou: ‘Ele é muito forte, ele chorou muito ainda'”, relatou.
Versões conflitantes e descoberta do crime
A mulher também pediu ao companheiro que desse um destino ao corpo da criança. A narrativa apresentada por ela difere do depoimento do pai, que alegou que a mãe foi a única responsável pela morte e que ele apenas ajudou a ocultar o corpo após a criança já estar morta.
O crime veio à tona quando a jovem passou mal após o parto e foi levada por familiares a uma unidade de saúde. Os parentes desconheciam a gravidez. Durante o atendimento, surgiram indícios de que a mulher havia acabado de dar à luz.
A família retornou à residência e encontrou o recém-nascido. A criança foi levada ao hospital, mas já estava morta. A Polícia Militar e Civil foram acionadas e constataram que o bebê nasceu vivo.
Diante dos fatos, o pai e a mãe foram presos em flagrante e autuados por homicídio qualificado. As investigações pela 60ª DP (Campos Elíseos) buscam esclarecer a dinâmica exata do crime e a responsabilidade de cada um.
Fonte: O Globo
