Lula lança Tela Brasil, o streaming público e gratuito de audiovisual brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente neste sábado (30), no Rio de Janeiro, a plataforma Tela Brasil, o serviço de streaming público e gratuito dedicado ao audiovisual brasileiro. A iniciativa visa democratizar o acesso à cultura nacional, ampliando o alcance das produções brasileiras para todo o país.
Coordenada pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, a Tela Brasil disponibilizará um acervo inicial com mais de 550 obras, incluindo filmes, séries e documentários, com acesso integrado ao portal Gov.br. O presidente destacou a importância da plataforma como ferramenta de soberania cultural, permitindo que os brasileiros se conheçam melhor e compreendam sua própria identidade.
Em seu discurso, Lula criticou a predominância de conteúdos estrangeiros de baixa qualidade na televisão brasileira e ressaltou o desconhecimento sobre o impacto econômico e a geração de empregos no setor cultural. Ele também conectou a iniciativa a outras políticas públicas de seu governo, como o MEC Livros e a inclusão de bibliotecas em conjuntos habitacionais, reforçando o acesso à cultura como um direito.
Tela Brasil: um marco para a soberania cultural e o acesso à arte
O presidente Lula enfatizou que a Tela Brasil é fundamental para que os brasileiros compreendam a si mesmos e a complexidade do país. “Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”, questionou, defendendo que o audiovisual nacional é um espelho da identidade brasileira, muitas vezes ofuscada por produções estrangeiras de menor valor cultural.
A plataforma, que contou com um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025, garante o licenciamento de um catálogo diversificado, desenvolvimento tecnológico próprio e ferramentas completas de acessibilidade. O objetivo é que a cultura seja tratada como política de Estado, e não apenas de governo, para que seus benefícios sejam perenes.
Acervo diversificado e acessível para todos os brasileiros
O catálogo inaugural da Tela Brasil reúne obras financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e acervos de instituições como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares. O foco é na diversidade, incluindo cinema negro, indígena, produções dirigidas por mulheres, e temas como justiça climática e sustentabilidade.
O acervo abrange desde clássicos de 1910 até produções contemporâneas de 2025, totalizando 555 obras: 267 curtas-metragens, 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas. Títulos como “A Hora da Estrela”, “Xica da Silva”, “Central do Brasil” e “Cidade de Deus” estão entre os destaques, assim como 19 filmes que já representaram o Brasil no Oscar.
A acessibilidade é um pilar central do projeto. Todos os títulos contam com audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Libras, além de estarem em conformidade com pesquisas sobre acessibilidade, preservação e memória.
Navegação e Parcerias Estratégicas
Para acessar a Tela Brasil, é necessário ter uma conta ativa no Gov.br. A plataforma oferece dois perfis de navegação: Perfil Cidadão, para acesso individual e gratuito a filmes, séries e documentários, e Perfil Direcionado, voltado para exibições coletivas e sem fins comerciais em espaços como escolas, cineclubes e bibliotecas.
Inicialmente, a plataforma funciona no navegador de computadores com opção de transmissão para Smart TVs. Aplicativos para celulares Android e iOS serão disponibilizados em até 30 dias. Foi assinado também um Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Cultura e a TV Brasil para expandir a oferta e circulação de conteúdos audiovisuais brasileiros.
O presidente Lula aproveitou o evento para reforçar a importância da cooperação com a África e a América Latina, anunciando a inauguração de novas estruturas da Unila em Foz do Iguaçu e defendendo convênios e cursos a distância para transmissão de conhecimento. Ele conclamou a sociedade a participar de uma “revolução cultural” para que o Brasil seja “dono do seu nariz, da sua história e das suas coisas”.
Fonte: G1
