Leilão de imóvel do Grupo Sendas em Botafogo tem nova suspensão judicial
A Justiça do Rio concedeu uma liminar que suspende pela segunda vez o leilão do imóvel localizado na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. O edifício, que pertenceu ao Grupo Sendas, é palco de um complexo imbróglio jurídico após ser desapropriado pela Prefeitura do Rio. A administração municipal deseja vender o imóvel à Fundação Getulio Vargas (FGV), que tem planos de instalar um centro de pesquisas em inteligência artificial no local.
A nova suspensão atende a um recurso do Grupo Sendas contra uma decisão anterior que autorizava a continuidade do processo. Com a liminar, o leilão, anteriormente marcado para o dia 28, fica sem data definida. A situação gera descontentamento também entre moradores da região.
O embate judicial teve início no final do ano passado, com a publicação do primeiro decreto de desapropriação. Uma tentativa anterior da prefeitura de realizar o leilão em março foi suspensa por decisão judicial, que apontou a falta de comprovação de interesse público na desapropriação. O Grupo Sendas alega que a prefeitura age de forma arbitrária para beneficiar a FGV.
Contestação do Grupo Sendas e planos da FGV
O Grupo Sendas argumenta que o imóvel, que abrigou uma unidade do Pão de Açúcar e atualmente conta com uma academia em funcionamento, não deveria ter sido desapropriado. A rede varejista afirma que havia negociações avançadas para a instalação de uma unidade do Supermercado Mundial no local, o que manteria a atividade econômica e a utilidade do espaço para o bairro. A empresa sustenta que o projeto da FGV para um centro de inteligência artificial já existia antes mesmo da conclusão dos trâmites legais pela prefeitura.
Posição de moradores e vereadores
O vereador Pedro Duarte (PSD), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos, manifestou-se contrário à desapropriação, defendendo o direito à propriedade privada e à livre iniciativa. Ele destacou que um abaixo-assinado com mais de três mil assinaturas e a mobilização social demonstram o apoio da vizinhança à instalação de um supermercado, visto como um serviço que gera mais movimento, segurança e utilidade para o bairro.
Fonte: G1
