Juiz assume o Governo do Rio e promove 'faxina': 2.538 demitidos em meio a impasse judicial

Juiz assume o Governo do Rio e promove ‘faxina’: 2.538 demitidos em meio a impasse judicial

Ricardo Couto assume o Governo do Rio e promove ‘faxina’: 2.538 demitidos em meio a impasse judicial Há dois meses, o Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, é ocupado por uma figura inusitada: Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça. Sem experiência política e nunca tendo disputado eleições, Couto assumiu o cargo […]

Resumo

Ricardo Couto assume o Governo do Rio e promove ‘faxina’: 2.538 demitidos em meio a impasse judicial

Há dois meses, o Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, é ocupado por uma figura inusitada: Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça. Sem experiência política e nunca tendo disputado eleições, Couto assumiu o cargo de governador por uma rara confluência de fatores que esvaziou a linha sucessória. A decisão de Cláudio Castro de desincompatibilizar-se e a subsequente prisão de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, abriram caminho para o magistrado no cargo.

Inicialmente, esperava-se que a gestão de Couto fosse efêmera, com a passagem da faixa para um sucessor em breve. No entanto, a complexa teia de decisões judiciais em andamento, envolvendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF), sugere que a definição sobre a sucessão de Castro pode se arrastar por meses. Enquanto isso, o governador interino parece ter se adaptado à função, abraçando o corte de gastos e a “moralização” administrativa como suas principais bandeiras, resultando em uma ampla “limpa” em diversos setores do poder.

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A iniciativa de Couto já resultou na demissão ou remoção de 2.538 servidores e funcionários, incluindo sete secretários indicados politicamente. Em seus lugares, foram nomeados nomes do meio jurídico, principalmente da Procuradoria-Geral do Estado, o que rendeu à gestão o apelido irônico de “República dos Procuradores”. A população, contudo, parece demonstrar boa vontade com o governador acidental, como evidenciado nas redes sociais.

Impasse judicial trava a sucessão e mantém juiz no comando

A permanência de Couto no cargo é um reflexo direto de um impasse no Poder Judiciário, sem perspectiva de resolução rápida. Ações em tramitação no TSE e no STF determinarão se haverá nova eleição no Rio e se ela será direta ou indireta. A decisão sobre o destino de Douglas Ruas, novo presidente da Alerj e pré-candidato ao governo, que busca assumir o Guanabara antes do pleito de outubro para ganhar visibilidade, também aguarda julgamento.

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Cortes e nomeações: a “faxina” de Ricardo Couto

Enquanto Couto ocupa a cadeira, as movimentações políticas se intensificam. A coalizão de direita em torno de Ruas demonstra contrariedade com as intervenções do desembargador, cujos efeitos financeiros, diante de um déficit previsto de R$ 19 bilhões, são considerados mais simbólicos. Couto direcionou sua tesoura para órgãos como o Rioprevidência e a Cedae, ambos envolvidos em escândalos. Ele também reconduziu dois ex-secretários de Castro, que haviam sido exonerados por conflitos na gestão anterior.

No estratégico campo da segurança pública, Couto retirou de políticos o controle de programas como remoção de barricadas e policiamento ostensivo, devolvendo-os à Polícia Militar, agora sob o comando de um nome de sua confiança. “Passamos a falar a mesma língua”, afirma um integrante do alto escalão da área.

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Aliados de Eduardo Paes se beneficiam da indefinição

A turma do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) não se incomoda com o impasse, pois uma eleição antecipada não lhes traria vantagens. “O desembargador foi um presente do céu”, declara Washington Reis (MDB), aliado de Paes. Ruas, por sua vez, busca destravar a situação em Brasília, com promessas de ajuda de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, ainda sem resultados práticos. O deputado tem buscado atrair holofotes na Assembleia, criando uma comissão especial e se opondo à redistribuição dos royalties do petróleo.

Para o improvável inquilino do Palácio Guanabara, resta a tarefa de organizar a casa enquanto o futuro político do Rio de Janeiro permanece incerto. A única certeza no cenário fluminense é a própria incerteza sobre quem ocupará o cargo nos próximos quatro anos.

Fonte: VEJA

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