Interino do Rio suspende R$ 730 milhões em repasses para 16 municípios
O governador em exercício do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, determinou o bloqueio da liberação de R$ 730 milhões destinados a 16 municípios do interior do estado. Os recursos, que seriam utilizados para obras de pavimentação e contenção de encostas, proviriam do Fundo Soberano estadual. A decisão do interino surge após a autorização desses repasses ter sido feita pelo ex-governador Cláudio Castro no último dia de sua gestão, pouco antes de anunciar sua renúncia em março.
A criação do Fundo Soberano, em 2022, teve como objetivo proteger o Rio de Janeiro da volatilidade do mercado de petróleo e gás natural, com destinação prevista para investimentos de médio e longo prazo em projetos estruturantes nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. A aprovação apressada dos repasses, em 23 de março, gerou desconfiança na atual gestão.
Em nota oficial, a assessoria do governador em exercício Ricardo Couto informou que ele não foi notificado sobre a liberação dos recursos na época e que, no momento, não haverá repasse do Fundo Soberano. Os projetos apresentados serão submetidos à análise técnica do novo governo. Conforme apurado pelo g1 e RJ2, a reunião que autorizou os repasses ocorreu no final da tarde do dia 23 de março, horas antes da despedida de Cláudio Castro e do envio de seu pedido de renúncia à Assembleia Legislativa (Alerj).
Detalhamento dos projetos suspensos
Os R$ 730 milhões estavam distribuídos entre três secretarias e contemplariam ações em 16 municípios localizados nas regiões Norte, Noroeste, Sul, Serrana e dos Lagos. A Secretaria de Cidades seria a maior beneficiada, com R$ 250 milhões para um projeto de destinação não especificada, pasta comandada pelo deputado Douglas Ruas, indicado como sucessor de Castro e eleito presidente da Alerj.
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) receberia R$ 248,1 milhões para sete projetos em cidades como Natividade, Rio das Flores e Angra dos Reis. Já a Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas ficaria com R$ 232,5 milhões para dez projetos em municípios como Araruama, Petrópolis e Volta Redonda.
Cortes e exonerações na gestão interina
Desde que assumiu o governo interino em 24 de março, Ricardo Couto tem implementado uma série de cortes e exonerações na estrutura estadual. Em menos de um mês, 638 servidores foram exonerados, e três subsecretarias foram extintas, visando a otimização da gestão e o uso responsável dos recursos públicos. A economia anual gerada por essas medidas já ultrapassa os R$ 30 milhões.
As exonerações, segundo o Governo do Estado, identificaram inconsistências funcionais em diversos casos, como ausência de registro de acesso a sistemas internos e falta de credenciamento institucional. Essas ações fazem parte de um processo de auditoria em andamento no governo, que prevê a revisão de estruturas administrativas e contratos.
Fonte: G1
