Redes hospitalares do Rio suspendem atendimento da Unimed Ferj e acionam agência reguladora
A Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (Aherj) tomou a decisão de suspender o atendimento aos usuários da Unimed Ferj em suas redes credenciadas. A medida, que pode entrar em vigor em 30 dias, depende da notificação oficial a órgãos como o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e as secretarias estadual e municipal de Saúde, além do próprio Sistema Unimed.
A assembleia, que reuniu representantes de 107 hospitais e clínicas associados à Aherj, deliberou unanimemente pela suspensão. Segundo Marcus Quintella, presidente da Aherj, a decisão será protocolada ainda nesta semana. Ele ressaltou que os hospitais não possuem mais recursos para manter os atendimentos diante do cenário de insegurança financeira e dívidas acumuladas.
A associação também solicitará ao MPRJ e à ANS que tomem providências urgentes em relação à Unimed Ferj, incluindo a possibilidade de intervenção ou liquidação da operadora e transferência de sua carteira de clientes. Caso a suspensão se concretize, procedimentos eletivos e cirurgias marcadas podem ser afetados, com exceção apenas para pacientes internados ou em tratamento contínuo.
Dívida bilionária e crise financeira na Unimed Ferj
A decisão da Aherj é mais um capítulo na longa disputa entre a Unimed Ferj e sua rede credenciada, marcada por uma crise financeira na cooperativa. A Aherj estima que a Unimed Ferj acumule dívidas superiores a R$ 2 bilhões com hospitais do Rio, valor negado pela operadora.
Em novembro passado, a ANS determinou que a Unimed do Brasil assumisse a gestão da carteira da Ferj, estabelecendo um compartilhamento de receita para cobrir prestadores e reembolsos. No entanto, a medida não incluiu a transferência direta de usuários.
Unimed Ferj nega dívidas e mantém diálogo
Em nota, a Unimed Ferj informou que possui contrato com cerca de 40 hospitais no Rio de Janeiro e Duque de Caxias, e que a maioria já tem acordos firmados com a Unimed do Brasil. A operadora refuta a alegação de dívida assistencial e afirma estar aberta ao diálogo.
A Unimed do Brasil, por sua vez, informou em dezembro ter firmado acordos com seis redes hospitalares e de laboratórios para normalizar e expandir o atendimento. Contudo, 13 hospitais da Rede Casa e a Rede D’Or continuam sem receber pagamentos e suspenderam atendimentos a pacientes da operadora.
Fonte: G1
