Quem é Flávio Bolsonaro? 10 Fatos de Sua Trajetória Política
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem sua trajetória política intrinsecamente ligada ao sobrenome e a uma série de controvérsias. Sua ascensão foi impulsionada pelo capital político do pai, e sua carreira tem sido marcada por investigações e episódios polêmicos que geram debates constantes.
Recentemente, sua proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso por suspeitas de fraudes financeiras, veio à tona. Apesar de negar contatos anteriores, o número do senador foi encontrado na agenda do banqueiro, reacendendo questionamentos sobre suas relações.
As investigações sobre o esquema de “rachadinha” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), enquanto deputado estadual, ainda pairam sobre sua conduta, mesmo que paralisadas por tecnicalidades. Adicionalmente, vínculos com figuras associadas a grupos paramilitares e suspeitas de peculato e lavagem de dinheiro compõem o complexo cenário de sua carreira política.
1. Relação com Daniel Vorcaro, Banqueiro Preso
Conversas divulgadas pelo portal Intercept Brasil revelaram a conexão entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, preso por liderar um esquema de fraudes financeiras estimado em R$ 12 bilhões. O senador teria participado ativamente de negociações para financiar o filme biográfico de Jair Bolsonaro, com Vorcaro concordando em repassar R$ 134 milhões. Mensagens trocadas indicam proximidade e pedidos de dinheiro por parte de Flávio.
2. Cargos Fantasmas na Juventude
Uma reportagem da BBC News Brasil apontou que, entre 2000 e 2002, Flávio Bolsonaro acumulou três atividades simultâneas que exigiriam presença física em locais distintos. Na época, ele estudava Direito, fazia estágio voluntário e ocupava um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, levantando dúvidas sobre a viabilidade de tal jornada.
3. Homenagem ao Chefe do “Escritório do Crime”
Durante seu mandato como deputado estadual no Rio, Flávio Bolsonaro concedeu a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Alerj, a Adriano Magalhães da Nogueira, ex-capitão do BOPE e apontado como líder do “Escritório do Crime”, grupo miliciano. A justificativa foi “pelos inestimáveis serviços prestados à sociedade”, gerando polêmica pelas conexões do homenageado.
4. Homenagem a PM Condenado por Morte de Marielle Franco
Em 2004, Flávio Bolsonaro apresentou uma moção de louvor ao policial militar Ronald Pereira, pouco antes de ele ser investigado por envolvimento em uma chacina e, posteriormente, condenado por participação no planejamento do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.
5. Esquema das “Rachadinhas” e Loja de Chocolates
O Ministério Público do Rio de Janeiro apontou a existência de um esquema de recolhimento de salários de assessores parlamentares no gabinete de Flávio Bolsonaro, configurando peculato. Fabrício Queiroz, ex-assessor e amigo da família, teria operado o esquema, recebendo vultuosas quantias. A loja Bolsotini Chocolates e Café, da qual Flávio foi sócio, foi apontada como possível estrutura de lavagem de dinheiro, com movimentações incompatíveis com o faturamento.
6. Compra de 51 Imóveis com Dinheiro em Espécie
A família Bolsonaro, incluindo Flávio, adquiriu 51 imóveis ao longo de décadas com pagamentos totais ou parciais em espécie. Transações imobiliárias do senador no Rio de Janeiro foram analisadas no contexto de suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio Bolsonaro mantém intensa atuação no mercado imobiliário carioca desde 2005.
7. Mansão de Luxo Financiada pelo BRB
Flávio Bolsonaro adquiriu uma mansão de luxo em Brasília, avaliada em R$ 5,97 milhões, com financiamento do Banco de Brasília (BRB). O financiamento foi quitado antecipadamente, levantando questionamentos sobre a evolução patrimonial do parlamentar, especialmente considerando que o valor do imóvel superava seus bens declarados em 2018.
8. Baixa Produção Legislativa e Foco Tardio nas Mulheres
Em seu oitavo ano de mandato no Senado, Flávio Bolsonaro teve apenas um projeto de lei aprovado. Das 57 propostas apresentadas, a maioria foca em segurança pública e temas criminais. Curiosamente, apenas no último ano de seu mandato, protocolou um projeto voltado ao bem-estar das mulheres, que propõe serviços já existentes no SUS.
9. Ciro Nogueira como “Vice dos Sonhos”
Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, teve seu nome citado em investigações sobre fraudes do Banco Master. Considerado um articulador do Centrão junto ao bolsonarismo, Nogueira é visto como peça-chave para viabilizar a candidatura presidencial de Flávio em 2026, sendo apontado pelo senador como seu “vice dos sonhos”.
10. Marqueteiro Sob Suspeita em “Projeto DV”
Marcello Lopes, publicitário escolhido para coordenar a comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro, foi citado em um suposto plano de ataques contra o Banco Central articulado por Daniel Vorcaro. Lopes teria recebido R$ 650 mil de uma agência ligada ao esquema do Banco Master, negando participação em ações ilegais.
Fonte: O Globo
