Festa dos Presentes de Iemanjá reúne multidão em cortejo do Mercadão de Madureira à Praia de Copacabana
A tradicional Festa dos Presentes de Iemanjá movimentou mais de mil religiosos em um cortejo emocionante que partiu do Mercadão de Madureira, na Zona Norte, em direção à Praia de Copacabana, na Zona Sul, nesta segunda-feira (29). A 23ª edição da celebração, que faz parte do calendário oficial do Rio de Janeiro, levou mais de 50 barquinhos repletos de presentes, desejos e agradecimentos para serem lançados em homenagem à Rainha do Mar.
Durante todo o mês de dezembro, a iniciativa recolheu alimentos não perecíveis no Mercadão de Madureira, que serão doados a pessoas em situação de vulnerabilidade. Em troca, os fiéis receberam camisetas do evento. Nesta edição, foram coletadas aproximadamente 2,5 toneladas de alimentos, segundo Hélio Sillman, produtor da festa e lojista.
O ato de fé e tradição também envolveu a comunidade carioca em geral. Hélio Sillman ressaltou que a festa resgata elementos da cultura local, como os três pulinhos na praia e a entrega de flores, transcendendo a prática religiosa específica da Umbanda e do Candomblé. “É um resgate das tradições, da cultura carioca”, celebrou.
Histórias de Fé e Gratidão à Rainha do Mar
A devoção a Iemanjá se manifestou em relatos emocionantes. Rosimere Ferreira de Souza, 60 anos, participa da festa há quase duas décadas. Ela conta que sua fé foi recompensada quando seu filho, que sofreu com uma grave doença na infância, se curou. “Consegui a benção, ele está curado. Toda vez que eu venho, é uma emoção diferente. É muita emoção, sempre agradecendo Iemanjá”, compartilhou a aposentada.
Outra devota, a candomblecista Eliane da Cruz, 55 anos, encontrou na festa um momento de profunda gratidão. Após ser diagnosticada com lúpus e desenganada pelos médicos, ela atribui sua cura à sua fé e à sua conexão com o Candomblé. “Tenho certeza que foi pela minha fé. Fico muito emocionada. Quando eu cheguei aqui, já comecei a me arrepiar”, relatou.
Tradição e Conexão com o Samba
A Festa de Iemanjá do Mercadão de Madureira, reconhecida como Patrimônio Cultural Carioca, acontece desde 2003. O evento é realizado no dia 29 para evitar a concentração de pessoas na orla durante o Réveillon. Fiéis de religiões de matriz africana aproveitam a ocasião para fazer seus pedidos para o novo ano.
Em paralelo, a Praia Vermelha, na Urca, sediará o tradicional Ritual do Barco de Yemanjá nesta terça-feira (30), às 20h. Realizado há mais de duas décadas, o evento liderado pelo sacerdote Papaizinho Anderson de Oxoguian celebra a renovação de energias e a conexão entre o sagrado e o profano, reunindo personalidades do samba e de religiões de matriz africana. O barco deste ano está sendo confeccionado no barracão da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis.
A devoção a Iemanjá, orixá feminino cultuado na Umbanda e no Candomblé, é sincretizada no catolicismo com Nossa Senhora dos Navegantes. Essa associação remonta ao período da escravatura, quando o culto aos deuses africanos era proibido pelos portugueses, levando à adaptação de suas divindades a figuras católicas.
Fonte: g1.globo.com
