Exploração de Sinal de Internet por Criminosos Atinge 40% do Rio; Incêndios Marcam Expulsão de Empresas

Exploração de Sinal de Internet por Criminosos Atinge 40% do Rio; Incêndios Marcam Expulsão de Empresas

O Avanço do Crime Organizado no Mercado de Internet no Rio de Janeiro A venda ilegal de sinal de internet se consolidou como uma das principais fontes de receita para o crime organizado no estado do Rio de Janeiro. Facções criminosas e milícias não apenas comercializam o serviço, mas também extorquem empresas legítimas, levando a […]

Resumo

O Avanço do Crime Organizado no Mercado de Internet no Rio de Janeiro

A venda ilegal de sinal de internet se consolidou como uma das principais fontes de receita para o crime organizado no estado do Rio de Janeiro. Facções criminosas e milícias não apenas comercializam o serviço, mas também extorquem empresas legítimas, levando a atos de violência e destruição de patrimônio.

Levantamento aponta que, em apenas quatro meses, veículos e instalações de empresas de internet foram incendiados em cidades da Região Metropolitana, como Cachoeiras de Macacu, Japeri, Paracambi e Maricá. A atuação ilícita já foi identificada em pelo menos 37 dos 92 municípios fluminenses.

A dificuldade em conter o domínio territorial dos grupos criminosos é um dos principais fatores que facilitam essa exploração. Conforme o delegado Pedro Brasil, titular da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), os criminosos monopolizam serviços essenciais em áreas sob seu controle, expandindo essa prática para além da internet, incluindo gás, carvão e gelo.

Leia também:  Chuva Forte Causa Alagamentos na Zona Norte do Rio e Alerta de Deslizamentos em Duque de Caxias

Empresas Sob Ameaça e Retaliação

Empresas do setor de telecomunicações relatam dificuldades crescentes, com impedimentos para realizar manutenções e novas instalações em áreas dominadas pelo crime. A DDSD registra uma média de 15 ocorrências mensais relacionadas a ataques e proibições de acesso a regiões específicas.

Em 2026, foram registrados ataques violentos em Cachoeiras de Macacu, Japeri e Paracambi. Em Japeri, um escritório e um veículo foram incendiados. Em Paracambi, um veículo de manutenção de fibra ótica foi queimado. Um criminoso chegou a ameaçar, por redes sociais, quem não pagasse as taxas de extorsão.

Modus Operandi: Controle e Extorsão

O crime organizado atua de duas formas principais: estabelecendo empresas próprias, muitas vezes administradas por interpostas pessoas, para oferecer o serviço com exclusividade em territórios dominados, ou cobrando taxas de operadoras e provedores locais. O valor da chamada “permissão de trabalho” pode chegar a metade do valor pago pelos clientes.

Leia também:  Dia do Cuscuz: 5 mil porções da receita serão distribuídas gratuitamente na Central do Brasil, no Rio de Janeiro

Em Campos Elíseos e Saracuruna, em Duque de Caxias, traficantes como Joab da Conceição Silva, o Joab, e Carlos Henrique Santos de Araújo, o CH, são apontados como responsáveis por essas práticas. Joab utilizava uma empresa legalizada, gerida por terceiros, após ameaçar prestadores de serviço que já atuavam na região. CH, por sua vez, cobrava taxas de uma empresa já estabelecida.

Impacto Econômico e Social

Empresários do setor relatam a suspensão de atendimentos em diversas localidades, com perdas significativas de clientes e de potencial de crescimento. Um empresário que atua em São Gonçalo informou ter perdido quase 10 mil clientes e que o crescimento previsto de 10% ao ano, o que geraria cerca de 150 empregos diretos, deixou de ser realizado.

Leia também:  Dois Homens São Presos em Flagrante na Avenida Brasil com Moto Roubada e Pistola Calibre 9mm

O aumento das denúncias ao Disque-Denúncia sobre a comercialização clandestina de internet e TV a cabo é um indicativo da escalada do problema. Em 2025, foram registrados 2.047 chamados, um aumento de mais de 15% em relação ao ano anterior.

Plano de Reocupação Territorial e Soluções Tecnológicas

O governo estadual estuda um plano de reocupação territorial em comunidades como Muzema, Rio das Pedras e Gardênia Azul, com o objetivo de substituir a infraestrutura de cabos pela transmissão via rádio. Essa mudança visa reduzir danos, furtos e as possibilidades de retaliação por parte de grupos criminosos.

A proposta é que, nessas áreas, após a retomada do controle pelo poder público, seja implantado um projeto-piloto com internet via rádio, similar ao funcionamento de telefones celulares. A expectativa é que essa tecnologia reduza a dependência de cabeamento, dificultando a exploração ilegal.

Fonte: O Globo

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode deixar de perder em seu e-mail.

Veja também:

Chegamos ao fim!