Justiça do Rio conclui condenações dos executores do bicheiro Fernando Iggnácio
A Justiça do Rio de Janeiro encerrou a fase de condenações diretas dos envolvidos na execução do bicheiro Fernando Iggnácio, ocorrida em 2020. Os executores Pedro Emanuel D’onofre Cordeiro e Otto Samuel D’onofre Cordeiro foram sentenciados a mais de 31 anos de prisão cada, somando-se à condenação do ex-PM Rodrigo Silva das Neves, de 32 anos, em abril deste ano.
Apesar de todos os acusados de participação direta já terem sido condenados, o caso ainda não está totalmente encerrado. O bicheiro Rogério Andrade, apontado como mandante do crime e rival de Iggnácio, e seu chefe de segurança, Márcio Araújo de Souza, aguardam julgamento em processos distintos, mas com o mesmo pano de fundo.
O Ministério Público e as defesas dos acusados já apresentaram suas alegações finais, e as decisões agora cabem aos juízes responsáveis. A expectativa é que Rogério Andrade e Márcio Araújo também sejam submetidos ao júri popular, conforme o andamento dos processos. Conforme informação divulgada pelo Ministério Público.
Rogério Andrade e chefe de segurança aguardam pronúncia
Rogério Andrade, preso em outubro de 2024, é acusado de ordenar a morte de Fernando Iggnácio, a quem se referia como “Cabeludo” em mensagens criptografadas. Ele teria repassado as ordens a Márcio Araújo de Souza, seu chefe de segurança e homem de confiança. Andrade foi transferido para o Presídio Federal de Campo Grande e teve pedidos de liberdade negados pelo STF.
Márcio Araújo de Souza, por sua vez, é apontado como o responsável por contratar e coordenar os executores. Ele se comunicava com Rogério Andrade através do aplicativo Wickr e passava instruções sobre a vigilância da vítima. Márcio teve seu processo desmembrado após a defesa demorar a se manifestar e foi pronunciado em outubro de 2025 para ir a júri popular, mas sua defesa recorreu da decisão. Ele responde em liberdade com tornozeleira eletrônica e proibido de sair do país.
PM acusado de monitorar vítima ainda em julgamento
No mesmo processo que envolve Rogério Andrade, está o PM Gilmar Eneas Lisboa, acusado de monitorar os passos de Fernando Iggnácio. Segundo o Ministério Público, a vigilância começou pelo menos oito meses antes do crime e Gilmar teria enviado vídeos da residência da vítima em Angra dos Reis. Nos contatos com Márcio Araújo, Lisboa era identificado pelo codinome “Tribidi”.
O Ministério Público e as defesas de Rogério e Gilmar já apresentaram seus argumentos finais. A promotora Andrea Fava, do Gaeco e do Gaejuri, explicou que “Agora, tudo está submetido ao juiz para que ele entenda se eles serão também pronunciados e submetidos ao conselho de sentença”.
Últimos condenados em relação direta com o crime
Pedro Emanuel D’onofre Cordeiro e Otto Samuel D’onofre Cordeiro, condenados a mais de 31 anos de prisão, foram considerados executores diretos do bicheiro. Em abril, o ex-PM Rodrigo Silva das Neves foi condenado a 32 anos, 9 meses e 18 dias pelo mesmo crime. Outro acusado, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o “Farofa”, apontado como matador de aluguel, foi encontrado morto em novembro de 2022.
Fonte: G1
