El Niño traz alerta de temporais e calor extremo para o Rio de Janeiro
O estado do Rio de Janeiro se prepara para um período de atenção redobrada devido à influência do fenômeno El Niño. A partir de setembro, a primavera e o verão prometem ser mais quentes que a média, com aumento na probabilidade de temporais intensos e chuvas localizadas. A meteorologista Hana Silveira, da Climatempo, adverte que o cenário pode começar a ser percebido já no próximo mês.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e, quando ativo, tende a elevar as temperaturas globais. No Brasil, seus efeitos são desiguais, mas no Rio de Janeiro, a tendência é de um clima mais quente e com episódios de chuva mais severos, embora irregulares. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê que o fenômeno se intensifique no segundo semestre, atingindo seu pico entre novembro e fevereiro.
Diante desse cenário, a Prefeitura do Rio já anunciou um pacote de medidas preventivas, incluindo a aceleração de obras de contenção de encostas e combate a enchentes. O governo federal também antecipou o fornecimento de energia de contratos para garantir a segurança do sistema elétrico diante dos possíveis impactos do El Niño. As informações foram divulgadas pela Climatempo e pela OMM.
Aumento de temporais e chuvas irregulares
Os episódios de chuva intensa no Rio de Janeiro podem se tornar mais frequentes. Estes eventos estão ligados à atuação de sistemas como frentes frias, a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e, principalmente, aos eventos convectivos, conhecidos como tempestades de verão. Segundo Hana Silveira, em anos de El Niño, as precipitações tendem a ocorrer de forma mais irregular e localizada.
“Isso significa que uma cidade pode registrar chuva intensa enquanto áreas vizinhas recebem pouca ou nenhuma precipitação”, explicou a meteorologista. A predominância de frentes frias e eventos convectivos intensifica essa característica, tornando as tempestades mais imprevisíveis em sua distribuição geográfica.
O que é o El Niño e seus efeitos globais
O El Niño é um fenômeno natural que ocorre a cada dois a sete anos e é definido pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico. Sua atuação globalmente está associada a calor acima da média, além de elevar as chances de secas e chuvas intensas em diversas regiões. A OMM alerta para o aumento de ondas de calor, tanto em áreas continentais quanto nos oceanos.
Medidas de prevenção e adaptação no Rio de Janeiro
A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou um conjunto de ações para mitigar os efeitos do El Niño. Entre elas, estão a aceleração de obras de contenção e a antecipação de cronogramas para que as intervenções contra enchentes estejam concluídas antes do verão. Além disso, haverá reforço na divulgação de protocolos de enfrentamento ao calor extremo.
O governo federal também agiu, antecipando o início do fornecimento de energia de contratos para adicionar 1,8 gigawatt (GW) ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro. A medida visa garantir a segurança do sistema elétrico brasileiro em 2026 e no início de 2027, considerando os possíveis impactos climáticos do fenômeno.
Fonte: G1
