Ed Motta presta esclarecimentos sobre acusações de xenofobia
O cantor e compositor Ed Motta foi à 15ª DP (Gávea), no Rio de Janeiro, para prestar depoimento sobre as acusações de injúria por preconceito. O caso ocorreu após uma confusão no restaurante Grado, no Jardim Botânico, no início do mês, envolvendo uma discussão sobre a cobrança de taxa de rolha.
A investigação apura se o artista proferiu ofensas de cunho xenofóbico contra um barman do estabelecimento. Ed Motta, acompanhado de seus advogados, negou veementemente as acusações, classificando-as como “injustas” e “infundadas”, e ressaltou ter “amplo respeito pelos nordestinos”.
O cantor, que se declarou negro e gordo, afirmou repudiar qualquer tipo de preconceito e explicou que é cliente do Grado há nove anos, nunca tendo ofendido nenhum funcionário. Ele também apresentou sua defesa sobre os eventos que culminaram na confusão, incluindo a cobrança da taxa de rolha e um desentendimento posterior.
Cantor se defende de ofensas e alega preconceito contra ele
Em seu depoimento, Ed Motta declarou ser neto de baiano e bisneto de cearense, argumentando que essa ascendência reforça seu respeito pela cultura nordestina. Ele afirmou que as alegações de ter chamado o barman de “paraíba” são falsas e que ele próprio já sofreu com preconceitos por ser negro e obeso.
O artista relatou que se sentiu “chateado” e “desprestigiado” com a cobrança da taxa de rolha, que segundo ele, nunca havia sido aplicada em suas visitas anteriores. A discussão sobre a taxa teria levado a um descontrole emocional, resultando no arremesso de uma cadeira no chão, sem intenção de atingir alguém, e em sua retirada do local.
Restaurante e barman relatam ofensas e agressões
Em contrapartida, o barman que teria sido alvo das ofensas relatou que Ed Motta o insultou chamando-o de “babaca” e “paraíba”, e que as agressões verbais se estenderam com frases como “Cambada de paraíba” e “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”. O funcionário afirmou que não foi a primeira vez que sofreu tais ofensas.
O dono do restaurante, Nello Garaventa, entregou à polícia áudios que atribuem ao cantor ofensas como “paraíba filho da put*” e mencionou que o barman já havia relatado provocações “em tons homofóbicos” em outras ocasiões. O estabelecimento também registrou “condutas discriminatórias” durante o incidente, incluindo xingamentos e referências pejorativas à origem nordestina.
A confusão, que envolveu amigos do cantor, terminou com agressões físicas e um cliente ferido na cabeça após ser atingido por uma garrafa de vinho, em meio a uma briga iniciada após o esbarrão do cantor em uma mesa vizinha ao sair do local. A conta do grupo ultrapassou R$ 7 mil.
Fonte: O Globo
