Candidato a federal concedeu entrevista ao J3News e detalhou propostas para combater a criminalidade no Rio de Janeiro.
O delegado Felipe Curi (PP), candidato a deputado federal, apresentou em entrevista ao J3News suas propostas para a segurança pública no Rio de Janeiro. Com experiência como Secretário de Estado de Polícia Civil, Curi enfatiza a necessidade de uma abordagem que vá além da atuação policial, focando em mudanças na legislação federal e na participação ativa dos municípios.
Curi argumenta que a vivência na gestão da segurança o fez perceber a urgência em reformular a legislação penal, processual e de execução penal. O objetivo é evitar que criminosos sejam liberados rapidamente após a ação policial, garantindo a eficácia do trabalho das forças de segurança.
“Depois dessa minha experiência como secretário, me abriu um pouco a mente. E, realmente, eu vi que não tem outra forma de a gente iniciar uma melhora se não pela mudança da legislação”, afirmou o delegado. Ele esteve à frente da Secretaria de Estado de Polícia Civil de setembro de 2024 até março passado, quando se licenciou para concorrer às eleições.
Municípios como linha de frente contra o crime
O candidato defende que a segurança pública não deve ser tratada apenas como responsabilidade dos governos estadual e federal. Ele destaca a desordem urbana e o abandono das cidades como fatores que precedem o avanço do crime organizado e a ocupação de territórios.
“Antes da violência, até do crime mais violento, da facção, do domínio do território, vem a desordem urbana e o abandono da cidade. Em qualquer lugar do mundo, não existe cidade que se tornou violenta sem que antes ela tenha sido abandonada”, disse Curi.
Nesse sentido, ele propõe uma participação mais ativa dos municípios, por meio das guardas municipais e dos setores de fiscalização de posturas e segurança urbana. Para Curi, o controle de problemas considerados “menores” pode impedir a gradual ocupação de áreas pelo crime organizado, evitando que criminosos estabeleçam domínio com armas e barricadas.
Propostas para legislação penal e maioridade
Felipe Curi abordou a dificuldade em manter autores de crimes como furto presos, ressaltando que alterações nas regras dependem do Congresso Nacional. Ele exemplificou a situação com casos de furto em estabelecimentos comerciais, onde o infrator é preso e liberado em poucas horas, retornando à prática criminosa.
O delegado também defende a redução da maioridade penal para 14 anos, acompanhada de um aumento no período de internação para adolescentes envolvidos em crimes graves. A proposta visa a um período de internação de até 15 anos, em contrapartida aos atuais três anos.
Durante a entrevista, Curi também comentou sobre operações policiais recentes no Rio de Janeiro, como as realizadas no Complexo do Alemão e na Penha, as prisões de figuras públicas e a Operação Caminhos do Cobre, focada no combate a crimes de furto e receptação. Ele ainda discutiu os desafios enfrentados pelas polícias diante de organizações criminosas cada vez mais estruturadas.
Fonte: J3News
