Crime Organizado no Rio: 19 Serviços e Produtos Sob Domínio de Facções e Milícias

Crime Organizado no Rio: 19 Serviços e Produtos Sob Domínio de Facções e Milícias

O Monopólio do Crime Organizado no Rio de Janeiro Facções criminosas e milícias no Rio de Janeiro expandiram seu controle para além do tráfico de drogas, avançando sobre a distribuição de produtos essenciais e a oferta de serviços. Essa nova dinâmica impacta diretamente o cotidiano da população e a economia formal do estado. Um levantamento […]

Resumo

O Monopólio do Crime Organizado no Rio de Janeiro

Facções criminosas e milícias no Rio de Janeiro expandiram seu controle para além do tráfico de drogas, avançando sobre a distribuição de produtos essenciais e a oferta de serviços. Essa nova dinâmica impacta diretamente o cotidiano da população e a economia formal do estado.

Um levantamento aponta que pelo menos 19 bens e serviços já são monopolizados por esses grupos, que operam como verdadeiros cartéis territoriais. Desde alimentos básicos até materiais de construção, o crime organizado dita regras de fornecimento e preço em áreas sob seu domínio.

O resultado é um ambiente de negócios desorganizado, com concorrência desleal e aumento de custos para empreendedores que buscam atuar dentro da legalidade. A situação se agrava com a migração dos criminosos para setores formais da economia, como explica o promotor Fábio Corrêa.

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A ‘Terceira Onda’ do Crime Organizado: Controle da Economia Formal

O promotor Fábio Corrêa, do Ministério Público do Rio, classifica o atual cenário como a “terceira onda” de atuação do crime organizado. Após dominar o varejo de drogas e a exploração de serviços clandestinos (TV a cabo, internet, transporte alternativo), os grupos agora se infiltram em setores da economia formal.

Essa nova estratégia envolve o controle do fornecimento de matérias-primas e produtos essenciais. Em vez de apenas extorquir, criminosos abrem seus próprios negócios ou impõem a comercialização de produtos específicos, definindo preços e fornecedores. “Eles criam e administram suas próprias empresas”, afirma Corrêa.

Impacto Econômico: Prejuízo Bilionário e Queda na Produtividade

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) estima que esse domínio do crime organizado custa cerca de R$ 21,4 bilhões por ano à economia formal fluminense. Esse prejuízo engloba o impacto de mercados ilícitos na produção, circulação e comercialização de bens.

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Daniel Cerqueira, economista do Ipea, ressalta que a infiltração no mercado formal “puxa a produtividade da economia para baixo”. Empresas deixam de operar pela lógica de mercado, focada em eficiência e competitividade, resultando em redução da capacidade de crescimento sustentável.

Além disso, as áreas dominadas pelo crime se tornam hostis para empresas legais, que enfrentam riscos elevados, extorsão e insegurança. Isso compromete o desenvolvimento local, afasta investimentos e força empreendedores a fecharem as portas, aumentando a informalidade.

Exemplos Práticos: Da Farinha ao Gás

Um caso emblemático ocorreu em Paciência, Zona Oeste do Rio, onde um padeiro foi assassinado por se recusar a pagar a “taxa da farinha”, imposta pelo crime organizado. A taxa não só controlava o fornecedor de trigo, mas também o preço final do pão.

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Investigações identificaram empresas ligadas ao crime monopolizando a distribuição de trigo na Zona Oeste. O controle se estende a outros produtos, como botijões de gás, água mineral, arroz, cigarros e bebidas. Moradores relatam serem obrigados a comprar exclusivamente de empresas ligadas a milícias, vivendo sob coação.

O setor de materiais de construção também é afetado, com a venda de tijolos e areia controlada por paramilitares em municípios da Baixada Fluminense. Há suspeitas de extorsão a usinas de energia solar, com exigência de contratação de empresas de manutenção vinculadas a grupos criminosos.

Fonte: O Globo

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