Cinelândia sob Sombra da Violência: Arranjones Forçam Mudanças Drásticas no Cotidiano Carioca
A icônica Cinelândia, coração cultural do Rio de Janeiro, vive um clima de apreensão crescente. Uma onda de arrastões e assaltos tem forçado comerciantes e trabalhadores a adotarem medidas de segurança improvisadas, criando um toque de recolher informal e impactando diretamente a vida e o faturamento da região.
Turistas e moradores relatam a necessidade de vigilância constante, com guias turísticos orientando a ocultar pertences e bares tradicionais encurtando o horário de funcionamento. A atmosfera vibrante da praça, palco de importantes instituições culturais, tem sido substituída por um sentimento de insegurança.
O aumento expressivo de furtos e roubos, especialmente de celulares e joias, tem levado a uma adaptação forçada na rotina de quem vive e trabalha na área. Conforme informações divulgadas pelo O Globo, a situação tem mobilizado autoridades e comerciantes em busca de soluções.
Rotina de Cautela e Alertas Constantes para Turistas
A guia de turismo Clara Ventura exemplifica a nova realidade da Cinelândia. Com 9 anos de experiência na região, ela reforçou o protocolo de segurança com seus grupos. “O alerta sempre foi necessário, especialmente em relação aos celulares. O aviso, porém, acompanha uma mudança no cenário da criminalidade local”, relata Clara.
Ela instrui os visitantes a manterem celulares em doleiras e a ocultarem qualquer acessório, mesmo sem valor. “Prefiro deixar você um pouco mais nervoso do que deixar acontecer alguma coisa durante o meu tour”, afirma, priorizando a segurança em detrimento do conforto momentâneo dos turistas.
Comércios Tradicionais Encurtam Horários e se Adaptam
Bares centenários como o Amarelinho, com 105 anos de história, foram forçados a reduzir drasticamente seu horário de funcionamento. O gerente Oberdan Rosa lamenta a mudança: “Antigamente, íamos até as 3h. Agora, em consequência desses arrastões, o máximo que a gente vai é até 1h”.
Para garantir a segurança dos funcionários, uma nova prática surgiu: a saída em grupo. “Quando a gente encerra o expediente, tem que andar em bloco, com dez funcionários ou mais. A partir daí, eles não mexem. Com mais de seis pessoas andando juntas, não fazem arrastões”, explica Oberdan.
Impacto Financeiro e Descrença com a Segurança Pública
O faturamento do Amarelinho caiu 50%, e o do Super Bar, outro estabelecimento afetado, recuou 30%. Fábio Alexandre, gerente do Super Bar, descreve a região como “totalmente abandonada”. Ele aponta que a maioria dos criminosos são adolescentes, o que dificulta a ação policial, pois são liberados rapidamente por serem menores de idade.
Danielle Mello, comerciante de semijoias da feirinha da Praça Floriano, viu suas vendas despencarem 70%. “Janeiro e fevereiro eram meses excelentes de venda aqui, e este ano está péssimo. O pior é que não tem horário, pode ser de manhã, na hora do almoço… Eles pulam no pescoço das pessoas se tiver cordão”, relata.
Medidas de Segurança e Cobranças Políticas
Apesar da presença policial e do programa Segurança Presente, a sensação de insegurança persiste. A Câmara Municipal do Rio tem cobrado um “choque de ordem” no Centro, e vereadores pedem um plano urgente para a região. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam um aumento de 36% nos furtos de celulares no Centro entre janeiro e outubro do ano passado.
A Polícia Militar informou que emprega um esquema especial de segurança para o carnaval, com efetivo extra e foco em pontos de concentração no Centro. O programa Segurança Presente também opera com reforço, realizando prisões e outras ações. Contudo, a população local clama por soluções mais efetivas para restaurar a paz na Cinelândia.
Fonte: O Globo
