Justiça do Rio quer desvendar uso de celular por Jairinho na prisão
O ex-vereador Dr. Jairinho, condenado pela morte do menino Henry Borel, teve o sigilo de seu celular quebrado pela Justiça do Rio. O aparelho foi apreendido na última quarta-feira (1º) em sua cela no presídio de Bangu, na Zona Oeste da capital, escondido entre livros.
A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que busca esclarecer se Jairinho manteve contatos externos para influenciar testemunhas, interferir em processos judiciais ou articular ações relacionadas a outras investigações em que ele é réu.
O pai de Henry Borel e assistente de acusação no processo, Leniel Borel, defende uma apuração completa sobre o caso, classificando a presença do celular na cela como um grave problema no sistema prisional. “Celular na cela de um condenado por crimes tão graves não é detalhe: é privilégio, falha e risco”, declarou.
Análise do conteúdo pode trazer novas evidências
O Ministério Público acredita que a análise do conteúdo do aparelho poderá fornecer informações cruciais para o andamento dos processos relacionados a Jairinho. A magistrada Elizabeth Machado Louro determinou que o celular seja encaminhado à Divisão Especial de Inteligência Cibernética (DEIC) do MPRJ para extração e análise dos dados.
A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que abrirá um procedimento para apurar a posse do aparelho pelo detento e a possível responsabilidade de servidores da unidade prisional.
Defesa de Jairinho aguarda intimação
A defesa de Jairinho, representada pelo advogado Rodrigo Faucz, afirmou que ainda não foi oficialmente intimada da decisão judicial e aguardará a intimação para se manifestar sobre o caso.
Relembre o caso Henry Borel
Henry Borel Medeiros, de 4 anos, morreu em 8 de março de 2021, após ser vítima de agressões e tortura no apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o então namorado dela, Jairinho. Em junho de 2026, Jairinho foi condenado a 43 anos de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e tortura.
Mesmo após a condenação, a defesa do ex-vereador apresentou recursos buscando a anulação do júri. O conteúdo do celular apreendido pode ter relevância para a análise desses recursos e para outras ações penais em andamento contra ele.
Fonte: G1
