Capoeira e Cultura como Ferramentas de Resgate e Empoderamento na Pequena África
Na Pequena África, região histórica do Rio de Janeiro, a Casa de Cultura Volta do Mundo e Conexões se tornou um farol de esperança para adolescentes em situação de vulnerabilidade. Muitos chegam ao espaço trazidos por familiares, cansados de ver os jovens envolvidos em delitos, marcados pela rua ou pela ausência de rotina.
O local oferece atividades como capoeira, música e audiovisual, buscando proporcionar um ambiente de aprendizado, afeto e reconstrução. A capoeira, em particular, é utilizada como um instrumento de recomeço, ensinando disciplina, respeito e o senso de pertencimento.
Segundo Simone Torres, gestora da Casa, o trabalho é contínuo e exige paciência. “O que a gente faz é dar estrutura, afeto e oportunidade para que enxerguem outro caminho”, afirma. Os adolescentes são encaminhados pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e a participação das famílias é considerada fundamental para o sucesso do processo.
Reorganização Corporal e Mental Através da Capoeira
Eduardo Escadão, mestre de capoeira e gestor da Casa, conduz as atividades, enfatizando a importância da capoeira para a “reorganização do corpo e da cabeça”. Ele explica que os jovens aprendem a lidar com limites, frustrações e vitórias, e que o processo de cura começa quando eles entendem que é possível errar e tentar novamente.
Além das rodas de capoeira, a Casa oferece oficinas de música, audiovisual e escrita. O objetivo é demonstrar que o talento pode ser um caminho para a autonomia. Os adolescentes aprendem a manusear câmeras, editar vídeos, escrever roteiros e aprimorar a comunicação, com acompanhamento personalizado e metas individuais.
Cidadania, Criação e Fortalecimento Comunitário
Reconhecida pela Prefeitura do Rio como polo do programa Reviver Centro, a Casa de Cultura Volta do Mundo e Conexões atua como um laboratório de cidadania e criação. O espaço promove atividades culturais e artísticas abertas ao público, com foco na valorização da identidade afro-brasileira e no fortalecimento comunitário.
Atualmente, a Casa atende 52 meninos, sendo 45 em abrigos e sete em medidas socioeducativas. O casarão da Rua do Rosário se tornou um local onde cada roda de capoeira é um ato de resistência e esperança, oferecendo um espaço de convivência e a chance de recomeçar para jovens que enfrentaram um passado de dificuldades.
Fonte: G1
