Carnaval Carioca: Dores e Delícias da Folia em Meio à Multidão
O Carnaval no Rio de Janeiro é uma experiência de contrastes. De um lado, a energia vibrante de blocos tradicionais e a celebração da cultura popular. De outro, os desafios logísticos e os perrengues que testam a paciência dos foliões.
Enquanto alguns desfiles proporcionam uma organização exemplar, com espaço para todos curtirem a festa, outros enfrentam obstáculos que transformam a alegria em aperto e desconforto. A experiência varia drasticamente dependendo do trajeto e da gestão do espaço público.
A dicotomia entre a celebração pura e os desafios práticos é um reflexo das complexidades da cidade. A forma como a prefeitura lida com ambulantes, segurança e fluxo de pessoas impacta diretamente a qualidade da experiência de milhares de pessoas durante o período mais festivo do ano.
Boitatá: Um Desfile de Sucesso e Organização
O Cordão do Boitatá celebrou seus 30 anos com uma estreia memorável na Rua Primeiro de Março. A banda reuniu mais de 200 músicos e um mar de foliões fantasiados, transformando o Centro do Rio em uma grande festa. A proteção divina parece ter garantido um dia de sol, apesar da previsão de chuva.
A segurança no entorno, com revista policial, foi um ponto de atenção, visando evitar incidentes como os ocorridos em blocos anteriores. A presença de agentes, embora cause incômodo para alguns, foi justificada pela apreensão de objetos perigosos em eventos passados na mesma via.
Um dos fatores cruciais para o sucesso do Boitatá foi a organização dos ambulantes. A prefeitura liberou apenas camelôs com caixas de isopor e proibiu carros na arena, o que facilitou o fluxo do cortejo e a alegria dos participantes. A questão levanta o debate sobre a aplicação dessas medidas em outros blocos.
Céu na Terra: O Aperto em Santa Teresa
Na véspera, o bloco Céu na Terra, em Santa Teresa, enfrentou dificuldades devido à presença de enormes triciclos de ferro de ambulantes. As estruturas criaram pontos de estrangulamento, imprensando foliões nas ruas estreitas e causando desconforto.
Apesar de homenagear Jorge Ben com clássicos, o bloco teve trechos de difícil mobilidade. A frase “Quem vem a lazer não entende nada” ecoou entre os presentes, evidenciando o perrengue para quem não está acostumado com a intensidade da folia.
Ambulantes: Trabalho Duro e a Busca por Harmonia
Os ambulantes veem o Carnaval como uma oportunidade de renda, encarando uma rotina exaustiva para garantir o sustento. Muitas mães solteiras levam seus filhos para o trabalho, buscando complementar o orçamento para despesas como material escolar.
Apesar da necessidade, a posição dos triciclos no meio da multidão é um ponto de discussão. O Movimento Único dos Camelôs (Muca) promove a campanha “Bagunça com Harmonia”, incentivando o diálogo entre blocos e vendedores para definir locais adequados e evitar o bloqueio dos desfiles.
Maria do Carmo, coordenadora do Muca, explica que afastar-se um pouco do bloco pode otimizar as vendas, pois quem deseja comprar se aproxima. Ela ressalta a importância de informar os ambulantes sobre os trajetos para que haja mais fluidez e todos ganhem.
O Carnaval Continua: Do Boitatá ao Do Nada
Após o desfile do Boitatá, a limpeza da rua pela Comlurb com água e sabão não impediu a continuação da festa. O Bloco das Trepadeiras celebrou 18 anos de intervenções urbanas, mostrando a diversidade de celebrações carnavalescas.
No fim da tarde, o músico Marcelo Cebukin, após tocar no Boitatá, foi abordado sobre o bloco Do Nada. A cena cômica, onde ele inicialmente negou saber de algo para poder almoçar, terminou com ele se juntando ao cortejo.
O bloco Do Nada reuniu uma multidão e seguiu até a Lapa, proporcionando um “inferninho” de festa. A energia contagiante e a alegria demonstraram que, apesar dos percalços, o espírito do Carnaval prevalece, com música e celebração em cada canto da cidade.
Fonte: G1
