A união que vai além do balcão: Ações para salvar o Café Lamas
Um incêndio em junho deste ano abalou o Café Lamas, um dos restaurantes mais tradicionais do Rio de Janeiro, fundado em 1874. Em resposta, bares do Rio de Janeiro e de São Paulo se uniram em uma iniciativa de solidariedade para arrecadar fundos e auxiliar na reconstrução do histórico estabelecimento.
A campanha, que ocorrerá entre os dias 31 de julho e 2 de agosto, contará com a participação de 25 estabelecimentos. Cada um deles destinará todo o lucro obtido com a venda de pratos selecionados para a recuperação do Lamas, um símbolo da boemia carioca.
A iniciativa busca não apenas ajudar financeiramente, mas também reforçar a importância de preservar a memória e a cultura que bares históricos representam. Conforme informações divulgadas, a ação conta com o apoio e alinhamento dos proprietários do Café Lamas, representados por Seu Milton, e a articulação de figuras importantes do setor.
Um marco da boemia carioca em risco
Ricardo Garrido, sócio da Cia. Tradicional de Comércio e do renomado Pirajá, destacou a importância do Café Lamas em sua trajetória. “É um dos estabelecimentos mais icônicos da boemia carioca e foi muito importante quando estávamos pesquisando para inaugurar o Pirajá”, afirmou Garrido.
Ele descreveu o Lamas como um local que serve “pratos clássicos, como língua com purê, filés altos, filé à francesa, filé Oswaldo Aranha”, além de ser conhecido pelo seu “chope gelado”. O bar sempre atraiu artistas, músicos e boêmios, consolidando sua fama ao longo dos anos.
Preservando a história e a alma da cidade
A notícia do incêndio mobilizou Garrido e outros empresários do ramo a agirem rapidamente. “Esse trabalho está sendo feito em total alinhamento com os donos, representados pelo seu Milton, com o comprometimento de que utilizarão os recursos para reabrir o bar”, explicou Garrido. O jornalista Guilherme Studart, autor do Guia Rio Botequim, também acompanhou de perto o processo.
Studart ressaltou o valor cultural da iniciativa: “recuperar esse patrimônio da boemia carioca é preservar um pedaço vivo da história do Rio de Janeiro. Estabelecimentos como o Café Lamas são muito mais do que negócios. Eles são espaços de convivência, memória, identidade e cultura.”
Mariana Rezende, proprietária do Bar da Frente, complementou a ideia, enfatizando a força do setor quando unido: “o fechamento de um bar tão antigo e importante para a cidade seria uma perda irreparável para o Rio e para o nosso setor. A prontidão de todos os bares nessa ação mostra que um setor unido é um setor mais forte.”
Confira os estabelecimentos participantes:
Rio de Janeiro:
- Porco Amigo Bar (Botafogo)
- Bafo da Prainha (Saúde)
- Bar da Frente (Praça da Bandeira e Copacabana)
- Bar da Portuguesa (Ramos)
- Bar do Trotta (Vila Isabel)
- Bar Madrid (FeG)
- Beco do Rato (Lapa)
- Bode Cheiroso (Maracanã e NorteShopping)
- Botica (Jardim Botânico)
- Bracarense (Leblon)
- Cachambeer (Cachambi e Norte Shopping)
- Capiau (Centro)
- Casa do Porto (Saúde)
- Conserva Bar (Copacabana)
- Curadoria (Barra e Botafogo)
- Bar da Gema (Tijuca)
- Dois de Fevereiro (Saúde)
- Enchendo Linguiça (Grajaú)
- Galeto Sat’s (Botafogo)
- Bar Miudinho (Catete)
- Bar do Momo (Tijuca)
- Porco Amigo Bar (Botafogo)
- Sofia Restaurante (Praça da Bandeira)
- Bar Velho Adonis (Tijuca)
São Paulo:
- Braca (Itaim Bibi e Santana)
- Pirajá (15 unidades)
Fonte: G1
