Café Lamas recebe apoio de rede de bares e restaurantes do Rio e São Paulo para reconstrução
O icônico Café Lamas, um patrimônio histórico e gastronômico do Rio de Janeiro, iniciou uma campanha de solidariedade para sua reconstrução após um incêndio ocorrido há pouco mais de um mês. Uma rede de 25 bares e restaurantes das capitais fluminense e paulista se uniu para ajudar o estabelecimento, que é considerado o restaurante mais antigo em atividade contínua na cidade.
A iniciativa, idealizada pelo Grupo Pirajá, acontecerá durante o primeiro fim de semana de agosto. Cada casa participante destinará integralmente o faturamento de um prato ou petisco específico para custear as obras necessárias no Lamas. A ação visa acelerar a reabertura do local, que permanece fechado desde o incidente.
O administrador do Café Lamas, Milton Brito, explicou que a liberação do seguro pela companhia de seguros ainda enfrenta burocracias, o que tem atrasado o processo de reconstrução. Apesar de não gerar faturamento, o estabelecimento mantém o compromisso de arcar com os custos operacionais e garantir o pagamento integral dos salários dos funcionários.
Incêndio e desafios na recuperação
O fogo teve início em uma fritadeira industrial na cozinha do estabelecimento no dia 16 de junho. O Corpo de Bombeiros agiu rapidamente e controlou as chamas em aproximadamente uma hora, evitando a destruição total do patrimônio e garantindo que não houvesse vítimas. Embora os danos estruturais iniciais tenham sido considerados pontuais, a necessidade de uma reforma completa nos sistemas elétricos e de exaustão forçou o fechamento prolongado.
Um legado de mais de um século
Fundado em 1874, o Café Lamas possui 152 anos de história e é oficialmente reconhecido como patrimônio cultural carioca. Inicialmente localizado no Largo do Machado, o restaurante mudou-se para seu endereço atual na Rua Marquês de Abrantes na década de 1970. Ao longo de sua existência, o Lamas foi frequentado por grandes nomes da política, literatura e artes brasileiras, como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer.
Berço do Bife Oswaldo Aranha
O estabelecimento também é imortalizado na culinária nacional por ter sido o local de criação do tradicional Bife Oswaldo Aranha. O prato, composto por filé alto, alho frito, arroz, batatas portuguesas e farofa de ovos, leva o nome do diplomata Oswaldo Aranha, que almoçava diariamente no local e sugeria a combinação dos ingredientes, consolidando uma das marcas da gastronomia carioca.
Fonte: G1
