Transporte Público no Rio: Uma Luta Constante por Preço e Qualidade
A discussão sobre o transporte público no Rio de Janeiro, especialmente o aumento das passagens, é um tema recorrente e que afeta diretamente a vida de milhares de pessoas. A sensação de que a conta nunca fecha para o passageiro é um sentimento compartilhado por trabalhadores e estudantes, que veem uma parcela significativa de sua renda ser destinada ao deslocamento diário.
Dados da Casa Fluminense revelam que os moradores do Rio podem comprometer até 10% de sua renda familiar apenas com o transporte de ônibus. Além do impacto financeiro, o modal rodoviário é o principal emissor de carbono no estado, o que agrava a poluição atmosférica e representa riscos à saúde da população, especialmente para grupos vulneráveis como idosos e crianças.
Apesar de outras modalidades como o transporte ferroviário e hidroviário emitirem menos poluentes, o alto custo das tarifas, a falta de oferta e o sucateamento desses serviços afastam os usuários. O Rio de Janeiro ostenta o título de ter o trem e o metrô mais caros do país, um reflexo que aprofunda as desigualdades sociais.
O Preço da Tarifa e o Custo para a Saúde Pública
Recentemente, um novo aumento na tarifa de integração do Bilhete Único foi implementado, elevando o valor de R$ 8,55 para R$ 9,40. Essa medida, somada aos previstos reajustes para trem, metrô e barcas, agrava a situação financeira dos fluminenses, que já enfrentam um dos transportes públicos mais caros do Brasil.
O relatório “De Olho No Transporte” aponta que 19 dos 22 municípios da Região Metropolitana do Rio estão sob risco aumentado de saúde devido à poluição atmosférica. A dependência do transporte individual e a baixa qualidade do transporte público contribuem para esse cenário, que vai na contramão das discussões sobre cidades sustentáveis e resilientes.
Tarifa Zero: Uma Solução para um Futuro mais Justo e Sustentável
Em contrapartida aos aumentos, a proposta da tarifa zero surge como uma alternativa promissora. A implementação de políticas de transporte público gratuito tem sido vista em outros países, como a Índia, como uma medida urgente e estruturante no combate à poluição e na inclusão social.
No Brasil, mais de 170 cidades já adotaram a tarifa zero, demonstrando sua viabilidade em diferentes realidades. A discussão sobre a gratuidade do transporte público ganhou força em 2023, com Belo Horizonte quase se tornando a primeira capital a aderir à política, evidenciando o potencial de transformação social e ambiental que essa medida pode trazer.
A Escolha Política por um Transporte Público de Qualidade
A tarifa zero não é apenas uma questão de economia, mas uma escolha política que pode salvar vidas, tornar as cidades mais respiráveis e alinhar o Brasil às discussões globais sobre sustentabilidade, como as abordadas na COP 30. A falta de investimento em um transporte público de qualidade, seguro e limpo perpetua um ciclo de desigualdade e poluição.
A pauta da tarifa zero tem sido estudada pelo governo federal e pode se tornar um tema central nas eleições, representando uma oportunidade para repensar o futuro da mobilidade urbana no país. Adiar essa conversa significa perpetuar um modelo que onera o cidadão e prejudica o meio ambiente.
Fonte: ((o))eco
