Entenda os Fatores por Trás da Alta dos Aluguéis no Rio de Janeiro
Moradores e futuros inquilinos no Rio de Janeiro enfrentam um cenário de aluguéis cada vez mais caros. A sensação de que os preços estão elevados é confirmada pelo mercado imobiliário, que aponta a menor disponibilidade de imóveis como um dos principais motivos para essa escalada de valores.
Nos últimos três anos, a oferta de imóveis para locação no município carioca sofreu uma redução expressiva de 30,4%, segundo dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi Rio). Essa escassez, aliada a outros fatores econômicos e comportamentais, tem aquecido o mercado e elevado os preços.
A pandemia de Covid-19 marcou um ponto de virada, com o aumento do trabalho remoto e híbrido impulsionando a busca por imóveis mais confortáveis, e não apenas pela proximidade do trabalho. Paralelamente, a taxa básica de juros (Selic) elevada desestimulou a compra de imóveis próprios, direcionando mais pessoas para o mercado de aluguel.
Menor Oferta e Mudanças de Comportamento Aquecem o Mercado
Leonardo Schneider, vice-presidente de Locação e Comercialização Imobiliária do Secovi-Rio, destaca que a pandemia alterou significativamente o comportamento do mercado. O trabalho remoto ou híbrido levou as pessoas a priorizarem o conforto e o espaço, em detrimento da localização próxima ao trabalho. Essa mudança, combinada com a popularização das plataformas digitais para análise de crédito e a alta da taxa Selic, que desestimulou financiamentos, intensificou a procura por aluguéis.
“Tudo isso está aquecendo o mercado. Estão alugando mais, e não está tendo novos imóveis com foco para a locação. Isso faz com que os estoques de locação sejam consumidos”, explica Schneider. A menor oferta de imóveis para locação tradicional, que caiu de 10.193 em junho de 2023 para 7.093 em junho de 2024, é um dos pilares para o aumento dos valores.
Plataformas de Temporada e Turismo Impactam Preços
Outro fator relevante no encarecimento dos aluguéis é o crescimento das plataformas de aluguel por temporada, como o Airbnb. Em 2023, a plataforma movimentou quase R$ 21 bilhões no estado do Rio de Janeiro, segundo estudo da FGV. Marco Freitas, diretor de Condomínio e Locações da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), aponta que o aumento do turismo na cidade também impacta a aquisição de imóveis, especialmente na Zona Sul, por não residentes.
“A gente não tem uma capacidade de entrega de novos produtos na mesma demanda de procura, o que aumenta o valor (dos aluguéis)”, analisa Freitas. Ele acrescenta que o aumento do fluxo turístico e a aquisição de imóveis por estrangeiros, que veem no Rio uma oportunidade de investimento para uso próprio ou aluguel de temporada, contribuem para a valorização, principalmente em áreas nobres.
Zona Sul Concentra os Bairros Mais Caros
A menor oferta de imóveis e a alta demanda resultaram em um aumento expressivo no valor do metro quadrado para locação. Em junho deste ano, o valor médio do metro quadrado no Rio era de R$ 56,28, um aumento de 18,2% em relação ao mesmo período de 2024. A Zona Sul do Rio de Janeiro lidera o ranking dos bairros mais caros.
O Leblon encabeça a lista, com o metro quadrado para locação residencial a R$ 129,10, seguido por Ipanema (R$ 124,97), Lagoa (R$ 89,64) e Jardim Botânico (R$ 82,20). A Barra da Tijuca aparece em quinto lugar, com R$ 82,06 o metro quadrado. O crescimento na Barra e arredores, com disponibilidade de terrenos para novos empreendimentos, tem levado a um aumento nas ofertas de aluguel nessa região, diferentemente da Zona Sul.
Centro se Valoriza com Projetos de Revitalização
O Centro da cidade do Rio de Janeiro também se destaca no ranking dos bairros mais caros para se morar, impulsionado por projetos como o Reviver, que visa transformar imóveis comerciais em residenciais. A oferta de aluguéis aumentou na região, mas os preços não caíram devido à demanda reprimida da Zona Sul e da Barra da Tijuca.
A região central foi a que apresentou a maior variação percentual no valor do metro quadrado para locação nos últimos dois anos, com um aumento de 59,3%. A Zona Norte (20,3%) e a Zona Sul (19,8%) também registraram valorizações significativas.
Diante desse cenário, muitos moradores buscam alternativas em bairros mais acessíveis. O empresário Alexandre Blandino, que se mudou da Glória para Maria da Graça, na Zona Norte, relata ter encontrado apartamentos maiores e com custo 40% menor. “Na Zona Norte você paga numa casa de dois quartos o mesmo valor que um quartinho na Zona Sul”, afirma.
Fonte: G1
