Alerj Libera Presidente Rodrigo Bacellar Após Votação
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu revogar a prisão preventiva do seu presidente, Rodrigo Bacellar (União Brasil), nesta segunda-feira (8). A decisão foi tomada em plenário, com 42 votos a favor da soltura e 21 contra, superando a maioria absoluta necessária para a liberação.
Bacellar estava preso desde o dia 3, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão ocorreu sob suspeita de ter alertado o ex-deputado Thiego dos Santos, conhecido como TH Joias, sobre uma operação da Polícia Federal que o levou à detenção em setembro por envolvimento com o Comando Vermelho.
A publicação da revogação da prisão no Diário Oficial do Rio é esperada, e a Alerj comunicará a decisão ao STF. Embora a legislação preveja a soltura após a decisão do parlamento, o Supremo ainda pode impor medidas cautelares ao deputado, como o uso de tornozeleira eletrônica ou restrições de circulação.
Investigação e Suspeitas Contra Bacellar
As investigações da Polícia Federal apontam que Bacellar e TH Joias trocaram mensagens na véspera da prisão do ex-deputado. Segundo a PF, Bacellar teria orientado TH Joias a trocar de celular e a retirar possíveis provas de sua residência. TH Joias encontra-se preso desde setembro, respondendo por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas.
A prisão de Bacellar foi autorizada no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que investiga conexões entre agentes públicos e grupos criminosos. A ação é relatada interinamente pelo ministro Alexandre de Moraes.
Votação e Pressões nos Bastidores
A votação na Alerj contou com a ausência de quatro deputados. A decisão de não deliberar sobre o afastamento de Bacellar da presidência, medida também determinada por Alexandre de Moraes, foi vista por parlamentares próximos a ele como uma estratégia para que o próprio STF se posicione sobre o assunto.
Nos bastidores, o governo do estado apresentou divisões. Enquanto o governador Cláudio Castro se manteve distante da articulação, o secretário estadual de Governo, André Moura, atuou para pressionar deputados pela derrubada da prisão. Moura negou qualquer participação em articulações ou telefonemas para influenciar a votação.
Deputados relataram ter sofrido pressões. O deputado Douglas Gomes (PL), que votou a favor da manutenção da prisão, afirmou que sua posição poderia custar seu mandato, apesar de possuir um mandato como vereador em Niterói.
A atuação de Moura contrasta com a postura de Castro, que busca evitar que desdobramentos da investigação atinjam sua gestão. O governador já foi citado no inquérito da Polícia Federal, que aponta para uma “célere manobra regimental” promovida pelo “governador do Estado e a cúpula da Alerj” para abafar a prisão de TH Joias e desvincular a imagem do ex-deputado de instituições públicas.
Fonte: G1
