Cláudio Castro renuncia ao governo do RJ e abre caminho para eleição indireta
O então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), oficializou sua renúncia ao cargo um dia antes da retomada do julgamento sobre sua cassação e inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão, que visa permitir sua candidatura ao Senado, ocorre em um contexto de forte instabilidade institucional no estado, onde poucos governadores completaram seus mandatos sem interrupções.
A cientista política Mayra Goulart, da UFRJ, avalia que o afastamento de Castro é um evento grave e recorrente na política fluminense. Desde a cassação de Wilson Witzel, de quem Castro era vice, o estado tem enfrentado crises que impedem a conclusão de mandatos consecutivos. A situação atual reforça um padrão histórico de turbulências no Rio de Janeiro.
A principal acusação contra Castro envolve a falta de transparência na contratação de quase 28 mil pessoas e um gasto de R$ 248 milhões por meio do Ceperj, vinculado à Uerj. O esquema é suspeito de ter favorecido a campanha eleitoral do governador em 2022. Também são investigados o ex-vice-governador Thiago Pampolha e o deputado estadual Rodrigo Bacellar.
Renúncia e eleição indireta: um cenário complexo
A renúncia de Castro força o Rio de Janeiro a realizar eleições indiretas para o cargo de governador. O estado está sem vice desde maio de 2025, com a saída de Thiago Pampolha para o TCE. Com isso, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Ricardo Couto Castro, assume interinamente e convocará a eleição.
O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, era o pré-candidato apoiado por Castro para a sucessão. Contudo, as investigações sobre as ligações de Bacellar com figuras ligadas ao crime organizado podem inviabilizar sua candidatura, adicionando mais incertezas ao processo eleitoral.
Trajetória política e articulações de Castro
Segundo Mayra Goulart, a renúncia ocorre em um momento de virada na popularidade de Castro entre as elites políticas, após um desentendimento com Bacellar em julho do ano passado. Castro demonstrou habilidade ao articular a ida de Pampolha para o TCE e a ascensão de Bacellar na Alerj, posicionando-o como seu sucessor.
A especialista também comenta a popularidade de ações consideradas “punitivistas” no Rio de Janeiro, citando uma operação policial recente como exemplo. Essa abordagem, embora controversa, tem ressonância junto a uma parcela da população e das elites políticas locais.
Mudanças na Casa Civil e possíveis candidaturas
Além de renunciar, Castro editou as atribuições da Casa Civil, concentrando poderes orçamentários e de nomeação sob o comando de Marcos Simões. O ex-secretário Nicola Miccione surge como um candidato de Castro para a eleição tampão.
No entanto, a candidatura de Miccione e de Douglas Ruas, outro nome cotado, pode ser inviabilizada por uma decisão recente do ministro Luiz Fux, do STF. A regra indica que apenas aqueles que estiveram fora dos cargos executivos por pelo menos seis meses poderiam concorrer à eleição indireta.
Fonte: g1.globo.com
