Risco à Saúde Pública: Manipulação Irregular de Canetas Emagrecedoras no RJ
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) emitiu um alerta crucial nesta segunda-feira (23/3) sobre a manipulação irregular de medicamentos popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A produção em lote desses produtos é expressamente proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), configurando uma grave ameaça à saúde da população fluminense.
A popularidade crescente dessas substâncias, impulsionada por redes sociais e clínicas estéticas, tem levado à busca por alternativas mais acessíveis. No entanto, a manipulação sem o devido controle sanitário compromete a segurança e a eficácia do tratamento, conforme ressaltam as autoridades de saúde.
Helen Keller, superintendente de Vigilância Sanitária da SES-RJ, enfatizou que esses medicamentos exigem processos rigorosos de fabricação e controle. A manipulação inadequada ou a produção em lote resultam em produtos sem garantia de qualidade, eficácia ou segurança para o paciente, sendo essencial a aquisição apenas em estabelecimentos regularizados.
Produção em Lote é Fabricação Industrial Proibida
Rosa Melo, coordenadora de Vigilância e Fiscalização de Insumos, Medicamentos e Produtos da SES-RJ, explicou que a manipulação magistral deve ser feita para um paciente específico, mediante prescrição médica. A produção em lote para venda ou distribuição descaracteriza a manipulação e se configura como uma fabricação irregular, restrita a indústrias farmacêuticas registradas.
Muitas dessas preparações são oferecidas em clínicas estéticas ou vendidas pela internet, sem garantia de procedência ou rastreabilidade. A falta de controle sanitário impede a garantia da composição exata, da dose correta e da esterilidade, especialmente para medicamentos injetáveis, aumentando o risco de infecções e complicações.
Complexidade e Risco de Substâncias Biotecnológicas
Marcelo Frota, farmacêutico e inspetor sanitário da SES-RJ, destacou a complexidade na produção de muitas substâncias utilizadas nessas terapias. Ele explicou que diversos desses medicamentos são de origem biotecnológica, produzidos por processos industriais altamente controlados.
A tentativa de reproduzir esses produtos em farmácias de manipulação pode resultar em incompatibilidades ou preparações sem eficácia terapêutica. O uso de matéria-prima diferente daquela empregada no medicamento registrado pode levar a resultados ineficazes, com o paciente recebendo uma dose inadequada ou um produto sem o efeito esperado.
Recomendações da Vigilância Sanitária
A SES-RJ reforça a necessidade de que o uso desses medicamentos ocorra apenas com prescrição e acompanhamento médico. É fundamental que os medicamentos sejam adquiridos exclusivamente em estabelecimentos regularizados, evitando produtos oferecidos em redes sociais ou locais sem autorização sanitária.
Helen Keller orienta que, antes de iniciar qualquer tratamento, o paciente deve passar por avaliação médica e assegurar que o medicamento seja regularizado e adquirido em um local confiável. A Vigilância Sanitária incentiva a população a comunicar qualquer suspeita de irregularidade envolvendo medicamentos através da Ouvidoria pelo telefone 0800 025 5525 ou pelo site oficial da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro.
Fonte: Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ)
