Polícia Militar investiga agentes do Bope após morte em operação no Morro dos Prazeres
A Polícia Militar afastou quatro agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) envolvidos em uma operação no Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro, que terminou com a morte de um morador. A decisão foi tomada após análises preliminares indicarem mau uso das câmeras corporais utilizadas pelos policiais durante a ação.
A corporação informou que o afastamento para atividades administrativas visa garantir uma apuração rigorosa e transparente dos fatos, em conformidade com as normativas de uso dos equipamentos. As investigações estão sob responsabilidade da Corregedoria Geral e o período de afastamento durará enquanto o processo investigativo estiver em curso.
A Polícia Militar não detalhou o que configura o “mau uso” das câmeras nem confirmou se os equipamentos estavam ligados no momento em que o morador foi atingido. A situação gerou controvérsias e diferentes versões sobre os acontecimentos.
Conflito de versões sobre a operação
O comandante do Bope, tenente-coronel Marcelo Corbage, apresentou a versão oficial de que houve confronto entre policiais e criminosos dentro da residência de Leandro, o morador que morreu. Segundo ele, os criminosos teriam reféns e disparado contra os policiais, que revidaram, resultando na morte de seis pessoas, incluindo o chefe do tráfico local, Claudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres.
No entanto, a esposa de Leandro, Roberta Ferro Hipólito, contradiz a versão oficial. Ela relatou que os policiais entraram na residência atirando enquanto ela e o marido dormiam. Roberta afirmou que não houve confronto nem negociação, e que a porta da casa foi arrombada com granada. Ela também declarou que um policial a induziu a dizer na delegacia que bandidos teriam atirado em seu marido, o que ela nega ter visto.
Roberta também relatou dificuldades na liberação do corpo do marido no Instituto Médico Legal, pois os documentos dela e de Leandro foram levados durante a ação. A residência ficou com marcas de sangue e restos mortais, e a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso.
Despedida e sepultamento da vítima
O corpo de Leandro foi velado na manhã desta sexta-feira (20) no Cemitério do Catumbi, na Região Central do Rio. Após a cerimônia, o caixão foi levado para o Piauí, estado de origem da vítima, onde ocorrerá o sepultamento. A família busca justiça e clareza sobre as circunstâncias da morte.
Fonte: Rede Social
