Críticas a Flávio Bolsonaro marcam inauguração de hospital no Rio
A inauguração do novo setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se tornou palco de fortes críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Autoridades ligadas ao governo federal e à prefeitura carioca direcionaram acusações de interferência política na gestão de hospitais federais do estado durante o período em que o pai do senador, Jair Bolsonaro, esteve na presidência.
Tanto o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), quanto o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz (PSD), citaram nominalmente o senador, atribuindo a ele a responsabilidade por indicações políticas que teriam prejudicado o funcionamento das unidades de saúde. A assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro foi procurada, mas não comentou as declarações.
O presidente Lula, por sua vez, fez críticas indiretas, sem mencionar o nome do senador, mas fazendo alusão a um possível adversário político. Ele questionou a atuação de certos sindicalistas que teriam se manifestado contra a municipalização de hospitais federais, mas permanecido inertes durante o período em que as unidades estiveram sucateadas sob o governo anterior.
Prefeito Eduardo Paes aponta sucateamento e contratos suspeitos
Eduardo Paes foi um dos primeiros a direcionar as críticas a Flávio Bolsonaro, alegando que indicações políticas do senador afetaram a gestão dos hospitais federais no Rio. Segundo o prefeito, essa situação levou ao “literalmente acabar” de muitas dessas unidades ao longo do tempo.
Paes exemplificou a situação com a cozinha do hospital, que estava fechada há 12 anos. Ele criticou o alto custo com transporte de alimentos terceirizados em detrimento de investimentos na estrutura, sugerindo que a manutenção de contratos desse tipo poderia gerar “muito mais comissão” para envolvidos.
Ministro da Saúde acusa família de “políticos tradicionais”
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou as críticas, falando sobre um projeto de uma “família de políticos tradicionais” do Rio de Janeiro que visava sucatear os hospitais federais. Ele afirmou que essa família controlava os hospitais por meio de contratos e indicações, o que levava ao caos e à deterioração das unidades.
Padilha expressou o desejo de que essa família “nunca mais imagine querer cuidar da saúde do nosso país”, lembrando a atuação durante a pandemia. A declaração sugere uma referência direta a Flávio e Jair Bolsonaro.
Lula faz críticas veladas e relembra CPI da Covid
O presidente Lula evitou citar nominalmente Flávio Bolsonaro, mas fez uma crítica indireta ao senador. Ele questionou a atuação de “sindicalistas” que protestaram contra a municipalização dos hospitais, mas não se manifestaram quando as unidades estavam fechadas no governo anterior. Lula chegou a especular se seriam “milicianos que defendiam aquele que administrava o hospital”.
A fala de Lula remete a depoimentos na CPI da Covid em 2021, quando o ex-governador Wilson Witzel afirmou que “hospitais federais do Rio têm dono” e mencionou, nos bastidores, a suposta influência de Flávio Bolsonaro nessas unidades.
Municipalização e histórico do Hospital do Andaraí
A gestão de dois hospitais federais no Rio de Janeiro, incluindo o Hospital Federal do Andaraí, foi municipalizada em 2024 pelo governo federal. O Hospital do Andaraí, especializado em oncologia e queimados, foi fundado em 1945, e seu centro de tratamento de queimados é o mais antigo do Brasil.
Entre 2017 e 2020, o hospital enfrentou suspensões temporárias no atendimento de emergência e pediatria, com andares de enfermarias fechados por mais de uma década, evidenciando um longo período de dificuldades.
Lula comenta prisões de ex-governadores e apoia Paes
Durante o evento, Lula desejou sorte ao prefeito Eduardo Paes em sua pré-candidatura ao governo do estado. Paes planeja renunciar ao cargo municipal na próxima semana para disputar o Palácio Guanabara com o apoio presidencial.
Ao comentar a disputa eleitoral, o presidente relembrou a série de prisões de ex-governadores do Rio, incluindo aliados como Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. Lula ressaltou que a quantidade de ex-governadores presos no estado indica que “algo está errado”.
Fonte: Folhapress
