Entenda as provas apresentadas pela polícia para prender vereador e saiba por que elas estão sendo contestadas
O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi preso em uma operação que também envolveu policiais militares, sob a acusação de ligação com o tráfico de drogas. A Polícia Civil fundamentou a prisão em diversos pontos, incluindo o fato de o parlamentar se autodeclarar “cria” da Cidade de Deus e ter como slogan de campanha “Vereança das Favelas do Rio”. Para os investigadores, essa autodeclaração ganha “especial relevo” devido ao histórico da região.
A defesa do vereador, no entanto, contesta veementemente as acusações e impetrou um pedido de habeas corpus. O caso gerou forte reação política, com o presidente do PSD do Rio, deputado federal Pedro Paulo, anunciando que pedirá audiência com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, para tratar do que ele chama de “instrumentalização da polícia para prender adversários”.
A disputa política entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o governador Cláudio Castro (PL) se acirra com o episódio. Paes defendeu publicamente Salvino Oliveira, questionando o critério de acusação e chamando Castro de “delinquente” e “frouxo”. O Palácio Guanabara, por sua vez, declarou que a prisão seguiu “critérios técnicos” e passou por “três esferas diferentes e independentes”: Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário.
As provas apresentadas pela polícia
Um dos pontos centrais da investigação é uma conversa interceptada onde o nome de Salvino Oliveira é mencionado. Em um trecho citado no inquérito, um interlocutor pergunta a um “chefe” se “o Pê e você autorizaram o Salvino a trabalhar e que é para eu dar suporte e ajudar nos projetos dele”. A polícia interpretou esse diálogo como indício de que a atuação do vereador na localidade poderia estar condicionada ao “aval e à tutela da organização criminosa dominante”.
Além disso, os investigadores ressaltaram que Salvino foi indicado como relator de uma Comissão Especial da Câmara Municipal voltada para políticas públicas nas favelas. Embora a polícia reconheça que as atribuições do mandato possam ser regulares, o fato de seu nome aparecer na conversa com supostas lideranças do Comando Vermelho é visto como um agravante.
Outro ponto levantado pela autoridade policial é a “hipocrisia manifesta” do vereador. Segundo o inquérito, em um vídeo público, Salvino critica o envolvimento de políticos com facções criminosas, classificando a associação como “absurda” e “escandalosa”. A polícia cita especificamente o caso da prisão do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Bacelar, por suposto vazamento de informações.
Defesa contesta as acusações
A defesa de Salvino Oliveira alega que a única prova apresentada é a citação de seu nome em uma conversa, sem que haja qualquer detalhe sobre a resposta do destinatário da mensagem. O deputado federal Pedro Paulo também reforça essa tese, afirmando que “o único dado sobre Salvino é uma conversa em que o nome do vereador é citado”.
O PSD do Rio protocolou uma representação no Superior Tribunal de Justiça e na Procuradoria Geral da República denunciando o que considera “uso do aparato policial do estado para perseguir adversários políticos”. Na representação, o partido pede o afastamento do secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, e do governador Cláudio Castro.
O prefeito Eduardo Paes reiterou seu apoio a Salvino, afirmando que “até que me apresentem provas, vou continuar defendendo Salvino”. Ele questionou o critério de acusação baseado em ser “cria da Cidade de Deus”, comparando com sua própria origem e a de outros políticos.
A Polícia Civil informou que a investigação teve início em outubro de 2024, com a representação pela prisão feita em janeiro de 2026. O Ministério Público deu parecer favorável em janeiro deste ano, e o Poder Judiciário autorizou os mandados em fevereiro, com expedição em março.
Fonte: O Globo
