STF autoriza prisão de 15 pessoas em investigação contra o Comando Vermelho no RJ
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou pública nesta quarta-feira (11) uma decisão que determinou a prisão preventiva de 15 pessoas. A medida faz parte do Inquérito (INQ) 5020, que apura a atuação de grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos. Entre os detidos estão um delegado da Polícia Federal, policiais civis e militares, e dois advogados, um deles ex-secretário estadual da Casa Civil.
A decisão atende a uma representação da Polícia Federal (PF), com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Além das prisões, o inquérito determina o afastamento dos investigados que ocupam cargos públicos. Para os advogados envolvidos, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) será comunicado para as devidas providências.
Segundo a PF, os investigados formam uma rede de corrupção que liga agentes públicos ao Comando Vermelho. As investigações apontam que essa atuação envolve núcleos dedicados à extorsão, tráfico internacional de armas e drogas.
Relações espúrias entre segurança pública e crime organizado
Na decisão, Alexandre de Moraes destacou a gravidade das condutas, evidenciadas pelas relações espúrias entre o alto escalão da segurança pública e o crime organizado armado. O ministro considerou que a liberdade dos investigados poderia permitir a continuidade do fluxo financeiro ilícito, abalando a ordem pública e a credibilidade das instituições.
O STF também determinou a expedição de mandados de busca e apreensão, o afastamento dos sigilos telefônico e telemático dos investigados, além do bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 36,3 milhões, incluindo criptomoedas.
Núcleo de policiais civis e extorsão a traficante
Provas colhidas pela PF, a partir de celulares apreendidos, indicam a atuação de policiais civis do Rio de Janeiro na extorsão contra o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio” ou “Índio do Lixão”, figura central do Comando Vermelho. Os policiais teriam exigido R$ 1,5 milhão do traficante para encerrar um procedimento investigativo na 44ª Delegacia de Polícia (Inhaúma).
O núcleo investigado inclui o delegado titular da 44ª DP, Marcus Henrique de Oliveira Alves, seu irmão e comissário Franklin José de Oliveira Alves, o oficial de cartório Leandro Moutinho de Deus, e o ex-assessor parlamentar Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, que intermediaria o pagamento de propina.
Núcleo de tráfico de influência e favorecimento a traficante internacional
De acordo com a PF, o grupo utilizou cargos públicos para favorecer o traficante internacional holandês Gerel Lusiano Palm. O advogado e ex-secretário estadual Alessandro Pitombeira Carracena atuava como articulador central, usando sua influência política para intermediar vantagens indevidas.
O delegado da PF Fabrizio Romano teria oferecido influência interna na corporação em favor do traficante holandês. O policial penal Luciano Pinheiro, já condenado por ligações com o tráfico, teria atuado como facilitador político e operacional. A advogada Patrícia Carvalho Falcão é suspeita de participação em pagamentos indevidos a servidores.
Policial militar realizava segurança para o traficante
As investigações revelaram que policiais militares prestavam serviços de segurança e logística para “Índio do Lixão”. O núcleo coordenado atuava na proteção diária, acompanhamento em consultas médicas, enterros e segurança de convidados do traficante. Foram decretadas prisões preventivas para Flávio Cosme Menezes Pereira, Franklin Ormond de Andrade, Ênio Cláudio Amâncio Duarte, Alex Pereira do Nascimento, Leonardo Cavalcanti Marques, Rodrigo de Oliveira Carvalho Sal e Ricardo Pereira da Silva.
Fonte: G1
