Prefeito Eduardo Paes e Governador Cláudio Castro trocam farpas após prisão de vereador ligado ao Comando Vermelho.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), se manifestou em seu perfil no Instagram após o governador Cláudio Castro (PL) comentar a prisão do vereador e ex-secretário municipal Salvino Oliveira (PSD) e criticar a gestão municipal. Paes afirmou que, se comprovado envolvimento de Salvino com o Comando Vermelho, será o primeiro a cobrar punição exemplar.
“Eu e o governador Cláudio Castro somos muito diferentes. Não sou conivente com nenhum tipo de ilegalidade. Se ficar comprovado qualquer envolvimento do vereador ou de quem quer que seja, vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a Justiça seja feita. Aqui não se passa a mão na cabeça de quem faz coisa errada,” declarou Paes.
O prefeito também criticou o que considera “o uso político das forças policiais comandadas pelo governador Cláudio Castro, nem a infiltração do crime organizado na política”. Para Paes, esses são “dois problemas centrais da grave crise de segurança pública que vivemos no estado do Rio”.
Castro acusa vereador de trabalhar para o crime
Mais cedo, Castro afirmou nas redes sociais que a Polícia Civil havia prendido “o braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio” e acusou o vereador de trabalhar “para bandido e não para o povo”. O governador também destacou que organizações criminosas vêm tentando se infiltrar na administração municipal há anos.
Segundo Castro, Salvino Oliveira criticava reiteradamente as forças de segurança e atacava operações da Polícia Militar, inclusive na Cidade de Deus. Ele acrescentou que tanto milícias quanto o Comando Vermelho tentam há décadas se infiltrar na estrutura da Prefeitura do Rio.
Salvino Oliveira é apontado como articulador político do CV
Nesta quarta-feira, a Polícia Civil do Rio prendeu o vereador Salvino Oliveira, que já foi secretário municipal da Juventude na gestão de Paes, durante a operação Contenção Red Legacy. De acordo com as investigações, Salvino é apontado como um dos principais articuladores políticos ligados ao Comando Vermelho na estrutura municipal.
Ele teria negociado com o traficante Edgard Alves Andrade, conhecido como Doca, autorização para realizar campanha eleitoral em 2024 em áreas dominadas pela facção, incluindo a Cidade de Deus. Ao chegar preso, Salvino afirmou estar sendo vítima de uma guerra política e negou as acusações de vínculo com Doca.
Disputa política entre prefeitos se intensifica
A rivalidade entre Paes e Castro se intensificou desde segunda-feira, quando uma operação da Polícia Federal prendeu o ex-secretário estadual de Esportes do governo Castro, Alessandro Pitombeira Carracena, investigado por supostamente articular um grupo que vendia influência na administração pública para favorecer o tráfico internacional de drogas.
Após a prisão de Carracena, Paes publicou nas redes sociais que “perdeu a conta” de quantos integrantes do governo estadual foram presos por ligação com o crime organizado. Ele também citou episódios envolvendo secretários acusados de negociar com traficantes, vazar operações policiais ou manter conexões com o jogo do bicho.
Na mesma postagem, Paes afirmou que adversários que se apresentam como “valentões” na segurança pública seriam, na verdade, “tchutchucas do Comando Vermelho”. O embate ocorre em meio à articulação de candidaturas para as eleições deste ano, com Paes cogitado para o governo do estado e Castro visando uma vaga no Senado.
Fonte: g1.globo.com
