Operação Anomalia desarticula rede de corrupção ligada ao tráfico no Rio de Janeiro
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (9) a “Operação Anomalia”, que mira um esquema de venda de influência e negociação de vantagens indevidas para favorecer um traficante internacional de drogas. Entre os alvos da ação estão o delegado federal Fabrizio Romano e o ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, que já estava preso desde setembro passado.
A investigação aponta que o ex-secretário e advogados atuavam como intermediários para viabilizar pagamentos indevidos em espécie ao delegado da PF. Em troca, o policial forneceria informações e exerceria influência interna para beneficiar os interesses do grupo criminoso. A operação é um desdobramento de investigações que levaram à prisão do ex-deputado estadual Thiego Santos, o TH Joias.
O esquema criminoso, segundo a PF, contava com a articulação de um indivíduo com histórico criminal, focado na facilitação política e operacional em Brasília. Caso comprovada a culpa, os investigados responderão por associação criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de capitais.
Detalhes da Operação Anomalia
Na ação desta segunda-feira, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão no Rio de Janeiro. Além de Romano e Carracena, uma advogada e outra pessoa, cujas identidades não foram divulgadas, também foram presas. Medidas cautelares diversas, como o afastamento do exercício de função pública, também foram aplicadas.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. O objetivo da ação é assegurar a atuação coordenada da Polícia Federal na produção de inteligência e repressão às facções criminosas fluminenses, com foco na desarticulação de suas conexões com agentes públicos e políticos.
Conexões com o Comando Vermelho
A investigação aponta que o ex-deputado Thiego Santos, preso em presídio federal, faz parte da facção criminosa Comando Vermelho. Ele é acusado em dois inquéritos de organização criminosa, obstrução de justiça, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas. De acordo com as apurações, TH Joias mantinha contato direto com os chefes do grupo.
A Polícia Federal detalhou que os investigados estruturaram uma associação criminosa voltada para crimes contra a administração pública e para o favorecimento de interesses ligados ao tráfico de drogas. A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, focada na repressão ao crime organizado.
Fonte: G1
