Segurança e Rotina em Risco: Condomínios Criam Regras Mais Rígidas para Aluguel por Temporada
A crescente utilização de plataformas digitais para aluguel por temporada tem gerado preocupações em condomínios residenciais, especialmente na Zona Sul do Rio de Janeiro. Situações recentes que comprometeram o sossego e a segurança dos moradores levaram síndicos e condôminos a debater e implementar medidas mais restritivas para o uso de apartamentos locados por curtos períodos.
A sensação de vulnerabilidade tem aumentado entre os residentes fixos, que apontam o fluxo constante de pessoas desconhecidas como um fator que dificulta o controle e eleva os riscos. Incidentes como tentativas de acesso não autorizado e ocorrências de crimes em imóveis alugados por temporada intensificaram a necessidade de regulamentação.
Um exemplo marcante ocorreu em Copacabana, onde a tentativa de entrada de menores acompanhados por turistas em um apartamento alugado via Airbnb gerou um alerta geral. A situação, que incluiu ameaças ao porteiro, culminou em uma assembleia que decidiu por um endurecimento das normas internas, buscando equilibrar a fonte de renda para proprietários com a tranquilidade e segurança de todos.
Novas Normas para Locações Temporárias
Em um edifício residencial de 40 apartamentos em Copacabana, uma assembleia extraordinária definiu um limite de seis hóspedes por estadia. A entrada de qualquer pessoa não previamente cadastrada foi proibida, exigindo a apresentação de documento de identidade ou passaporte para liberação do acesso na portaria.
A proibição se estende ao recebimento de visitas que não constem na lista de hóspedes. O descumprimento dessas novas regras acarretará uma multa de dois salários mínimos para o proprietário do imóvel, visando reforçar a responsabilidade.
Restrições de Uso e Circulação
O novo regulamento também proíbe explicitamente a utilização das unidades locadas para encontros, eventos, festas ou qualquer atividade de natureza comercial, política ou religiosa. O objetivo é evitar que os apartamentos sirvam como pontos de reunião que descaracterizem o perfil estritamente residencial do prédio.
Para reduzir a circulação de pessoas estranhas nas áreas comuns, foram estabelecidas práticas como a retirada de pedidos de delivery diretamente na portaria pelo hóspede. Fica vedado o acúmulo de malas ou pertences na recepção ou corredores, e o porteiro não exercerá função de concierge, devendo ser acionado apenas para demandas relacionadas à segurança do prédio.
Casos Recentes Reforçam Preocupações
Diversos incidentes recentes têm alimentado o debate sobre a necessidade de maior controle. Em outro edifício em Copacabana, turistas foram vítimas do golpe “Boa Noite, Cinderela”, sendo dopados e roubados. Houve também casos de danos a instalações do prédio, como descargas quebradas e elevadores danificados, além de agressões a moradores.
O caso mais chocante foi o estupro coletivo ocorrido em um imóvel alugado por temporada em Copacabana, que intensificou a pressão por mudanças. Embora a responsabilidade penal seja individual, o fato ter ocorrido em um imóvel de locação temporária ampliou a discussão sobre fiscalização e dever de cuidado por parte dos proprietários e administradores das plataformas.
Síndicos como Maria Fernanda Maia expressam preocupação e consideram a adoção de medidas semelhantes em outros condomínios. “Precisamos endurecer as regras. Apartamento de aluguel por temporada não é motel”, afirma, ressaltando a importância de garantir a segurança dos moradores e dificultar a ocorrência de crimes.
Fonte: O Globo
