Mapa da Mulher Carioca: Dados Revelam Violência e Caminhos para Autonomia em 2025

Mapa da Mulher Carioca: Dados Revelam Violência e Caminhos para Autonomia em 2025

Rio de Janeiro lança 5ª edição do Mapa da Mulher Carioca com foco em dados e políticas públicas Neste Mês da Mulher, a Secretaria de Políticas para Mulheres e Cuidado apresentou a quinta edição do Mapa da Mulher Carioca. O documento reforça a urgência no combate à violência contra a mulher no Rio de Janeiro […]

Resumo

Rio de Janeiro lança 5ª edição do Mapa da Mulher Carioca com foco em dados e políticas públicas

Neste Mês da Mulher, a Secretaria de Políticas para Mulheres e Cuidado apresentou a quinta edição do Mapa da Mulher Carioca. O documento reforça a urgência no combate à violência contra a mulher no Rio de Janeiro e aponta os caminhos de reconstrução através da educação e autonomia econômica.

Em 2024, o município registrou 102.470 notificações de ameaças, sendo 65,5% contra mulheres. Em casos de lesão corporal, elas também são a maioria, representando 64,9% das vítimas. A violência sexual também segue o padrão, com 85,8% das vítimas de estupro sendo mulheres, muitas delas crianças e adolescentes.

A letalidade apresenta um cenário ainda mais alarmante: entre 2020 e 2024, os casos de feminicídio saltaram de 18 para 51 anualmente, um crescimento de 183,3%. Em 2024, 72,5% das vítimas eram mulheres negras e 76,5% dos crimes ocorreram dentro de casa, com o agressor sendo companheiro ou ex-companheiro em dois terços dos casos.

Violência e Femicídio: Um Panorama Alarmante

O Mapa detalha que, em 2024, mulheres representaram 65,5% das vítimas de ameaças e 64,9% de lesões corporais no município, com metade ou mais dessas vítimas sendo negras. Nos crimes sexuais, elas foram 90,8% das vítimas de assédio sexual, 90,84% de importunação sexual e 86% de estupro e estupro de vulnerável. O lar foi o palco de 86,2% das notificações registradas em unidades de saúde, com parceiros ou ex-parceiros como principais agressores.

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O femicídio triplicou desde 2020, atingindo 51 casos consumados em 2024, além de 117 tentativas, um aumento de 85,7%. Sete em cada dez vítimas eram mulheres negras, e 75% dos crimes ocorreram em casa. Em resposta, ações como a Patrulha Maria da Penha e os CEAMs e NEAMs registraram milhares de atendimentos.

Cuidado e Desigualdade de Gênero no Trabalho

As mulheres cariocas dedicam, em média, 19 horas e 49 minutos semanais ao trabalho de cuidado e afazeres domésticos, enquanto os homens dedicam 12 horas e 25 minutos. Essa diferença representa 364 horas a mais de trabalho não remunerado por ano para elas. Mulheres negras dedicam mais de 20 horas semanais a essas tarefas.

No mercado de trabalho, a diferença salarial persiste: mulheres ganham R$ 762 a menos por mês que os homens, o que compromete sua autonomia econômica. A taxa de desemprego feminino é de 8,9%, chegando a 10,6% entre mulheres negras. 34% das mulheres empregadas atuam no setor informal.

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Infância, Saúde e Assistência Social Sob a Perspectiva de Gênero

O município conta com 223.811 meninas de 0 a 6 anos e 356.528 adolescentes de 10 a 19 anos, sendo 59% negras ou pardas. Em 2025, foram registradas 5.341 gestações em adolescentes, 74,2% delas jovens negras. A violência contra adolescentes é expressiva, com 3 em cada 5 vítimas de violência sexual sendo meninas, muitas vezes perpetrada por familiares dentro de casa.

Na saúde, os serviços de saúde sexual e reprodutiva ultrapassaram 1,5 milhão de atendimentos. A mortalidade materna foi de 48,7 para cada 100 mil nascidos vivos em 2024 e 73,3 em 2025. Entre mulheres com sífilis e HIV, a maioria é negra.

Na assistência social, programas como o Lares Cariocas e o Bolsa Família beneficiam majoritariamente mulheres. O índice de vulnerabilidade é maior em domicílios chefiados por mulheres (0,287) do que por homens (0,269).

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Educação, Cultura e Diversidade: Avanços e Desafios

As mulheres representam 57,2% das matrículas e formaturas no Ensino Superior. Na educação básica, a participação de estudantes negras é de 39,5%. Apesar de serem maioria na educação, homens possuem, proporcionalmente, mais títulos de mestrado e doutorado.

No setor cultural, a representatividade feminina em espaços públicos ainda é desigual. Contudo, a participação feminina em propostas selecionadas pela RioFilme aumentou significativamente entre 2023 e 2024.

O Mapa também aborda a realidade de mulheres quilombolas, trabalhadoras do acarajé, pessoas trans, com deficiência, em situação de rua e com diferentes afiliações religiosas, destacando as interseccionalidades de raça, classe e gênero nas vulnerabilidades enfrentadas.

A Secretaria para Políticas para Mulheres e Cuidado, Joyce Trindade, ressalta que “É impossível combater o feminicídio, a violência de gênero, a desigualdade e a pobreza sem um diagnóstico preciso. O Mapa da Mulher Carioca organiza os dados, revela onde estão as maiores vulnerabilidades e orienta cada uma das políticas da secretaria com base em evidências para que possamos salvar vidas de mulheres”. O conteúdo completo está disponível no site da secretaria.

Fonte: G1

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