A Aquarela de Debret que Símboliza o Carnaval Antigo no Brasil
Essa prática, inicialmente um jogo doméstico entre colonizadores, gradualmente se espalhou e, como a obra de Debret demonstra, passou a envolver também a população escravizada. Com o tempo, o entrudo começou a ser criticado por sua associação com a desordem e a violência, levando a tentativas de proibição que só surtiram efeito a partir da década de 1910.
Debret: De Pintor da Corte a Cronista do Brasil
Jean-Baptiste Debret chegou ao Brasil como parte da Missão Artística Francesa, com o objetivo de fundar uma escola de artes. Embora esse projeto não tenha se concretizado, Debret se dedicou a retratar a corte de Dom João VI e a cenografia de eventos oficiais. Contudo, seu olhar se estendeu para além dos salões reais.
Ele passou a registrar com detalhe o cotidiano, os costumes e as diversas camadas sociais do Brasil. Suas observações e pinturas, como a do entrudo e também a representação do mercado de escravizados na Rua do Valongo, tornaram-se registros históricos e antropológicos de valor inestimável.
As Raízes do Carnaval e Outras Manifestações
A aquarela “Um dia de entrudo” está atualmente sob a guarda do Museu da Chácara do Céu, em Santa Teresa, bairro do Rio de Janeiro com forte ligação com o carnaval. Embora a pintura não esteja em exposição, ela permanece como um testemunho da evolução da folia brasileira.
Debret também observou outras formas de manifestação que prenunciavam o carnaval futuro, como grupos de negros mascarados que imitavam a elite e bandas de músicos itinerantes, formadas por barbeiros, que animavam festas e procissões com instrumentos diversos e adaptações de ritmos europeus.
Fonte: g1.globo.com
