Avião de propaganda cai no mar em Copacabana; piloto era inexperiente, diz subprefeito
Um avião de pequeno porte que realizava um voo puxando uma faixa com propaganda caiu no mar na altura do Posto 3, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, na tarde de sábado (30). O acidente ocorreu pouco depois das 12h, entre os postos 3 e 4, próximo à Rua Santa Clara. Nenhuma outra pessoa se feriu, mas o ocorrido chamou a atenção de banhistas e moradores.
Segundo informações iniciais apuradas pelo subprefeito da Zona Sul, Bernardo Rubiâo, que acompanhou as buscas no local, o piloto da aeronave fazia apenas seu primeiro voo puxando faixa com propaganda. A informação foi obtida após contato com os responsáveis pelo monomotor.
Testemunhas relataram ter ouvido um estrondo no momento da queda, e logo em seguida, a faixa que era arrastada pelo avião despencou no mar. O técnico óptico Edmar Cabral Bezerra, de 58 anos, que estava saindo da água no momento do acidente, descreveu a cena: “Sentei na areia e ouvi um barulhâo. O pessoal do meu lado falou que era um avião. É complicado, porque é uma vida, estamos no fim de ano, época de confraternização.”, disse.
Esforços de resgate e investigação em andamento
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 12h34 e mobilizou diversas equipes, incluindo mergulhadores, motos aquáticas, embarcações infláveis e apoio aéreo com helicóptero. Pelo menos sete veículos da corporação foram utilizados nas buscas, chamando atenção na Avenida Atlântica.
Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também estiveram no local. De acordo com um integrante do grupo, após o içamento da aeronave, que até o fim da tarde de sábado ainda era uma operação em andamento para solucionar como retirar o monomotor do fundo do mar, ela seria levada para uma marina para perícia detalhada.
Detalhes sobre a aeronave e autorizações sob apuração
A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que a aeronave possuía a matrícula PT-AGB. Contudo, até o momento, não foi esclarecido se o avião tinha autorização para voar nas condições em que o acidente ocorreu, nem se o piloto, cujo nome ainda não foi divulgado, era habilitado para tal atividade.
A FAB, através de nota, explicou que as investigações do Cenipa visam exclusivamente a prevenção de acidentes aeronáuticos, sem o propósito de atribuir culpa. O objetivo é identificar os fatores que podem ter contribuído para a ocorrência, visando fortalecer a segurança do transporte aéreo.
Publicidade aérea e possíveis causas do acidente
A prefeitura do Rio de Janeiro informou que a empresa Visual, responsável pela publicidade aérea, possui alvará para este tipo de atividade, mas não havia solicitado licença específica para o trabalho realizado no sábado. A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) afirmou que realiza fiscalizações periódicas para evitar infrações.
Segundo relatos de banhistas, cerca de dez minutos após a queda do monomotor, outras aeronaves que realizavam propaganda na orla de Copacabana interromperam suas atividades. Esses aviões são comuns na região, anunciando desde aplicativos e produtos até candidatos em eleições de times de futebol.
Gerardo Portela, doutor em Gerenciamento de Riscos e Segurança pela Coppe/UFRJ, analisou que, com base em imagens, o avião parecia ter perdido sustentação. “Ele perdeu a sustentação, o estol (perda de sustentação da asa). Isso pode ter acontecido por causa de uma pane no motor, porque é um monomotor, ou no sistema de controle, das partes móveis, da aerodinâmica da aeronave”, explicou.
Portela também destacou que a faixa publicitária pode ter sido um fator agravante. “Ela impõe um arrasto muito grande. Então, significa carga, e o motor é muito sobrecarregado. É preciso checar se aquela faixa era compatível com a aeronave e as condições de potência do motor”, ressaltou.
Fonte: G1
