Deputada Lucinha e ex-assessora viram rés em processo por ligações com milícia no Rio
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público, tornando a deputada estadual Lúcia Helena Pinto de Barros (PSD), conhecida como deputada Lucinha, e sua ex-assessora parlamentar Ariane Afonso Lima rés em um processo criminal. As duas são suspeitas de envolvimento com a milícia “Bonde do Zinho” ou “Família Braga”, que opera em bairros da zona oeste da cidade.
Segundo a acusação, Lucinha e Ariane teriam oferecido suporte político e repassado informações sigilosas a integrantes da organização criminosa. Entre os supostos atos, está o vazamento de agendas oficiais do prefeito Eduardo Paes em julho de 2021, o que teria permitido que milicianos se retirassem de áreas sob seu domínio.
A denúncia também aponta que as acusadas teriam tentado influenciar autoridades municipais para manter a chamada “Brecha da P5” no sistema de transporte alternativo. Essa prática teria facilitado o lucro da milícia com rotas irregulares.
Detalhes do suposto envolvimento com o “Bonde do Zinho”
O Ministério Público detalha que Lucinha e Ariane recebiam informações confidenciais sobre investigações em andamento, com o objetivo de direcionar apurações policiais. Há indícios de que, em novembro de 2021, a deputada teria tentado auxiliar na liberação de membros da milícia presos em flagrante.
O processo indica que, entre junho de 2021 e março de 2022, as rés teriam participado de encontros regulares com líderes do grupo, incluindo o “Zinho”, ocorrendo cerca de duas vezes por mês. Essas reuniões teriam o propósito de planejar interferências na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Entre 2021 e 2023, Lucinha nomeou para seu gabinete pessoas ligadas ou parentes de integrantes da organização.
Afastamento e retorno da deputada
No final de 2023, uma operação da Polícia Federal revelou as conexões entre Lucinha e a milícia da zona oeste, levando ao seu afastamento do cargo por decisão judicial. No entanto, a deputada retornou à Alerj após votação dos deputados estaduais.
As duas responderão pelo artigo 288-A do Código Penal, que trata da constituição de milícia privada. A pena prevista é de cinco a dez anos de prisão, além de multa e possível perda da função pública.
Fonte: O Globo
