Aumento na doação de leite materno no Rio de Janeiro é celebrado, mas desafios persistem
O estado do Rio de Janeiro registrou um aumento de pouco mais de 10% no volume de leite humano coletado no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A marca positiva ocorre no mês de agosto, dedicado à conscientização sobre a importância da amamentação e da doação de leite materno.
No total, foram arrecadados 470 litros a mais de leite materno entre janeiro e junho deste ano. Curiosamente, esse crescimento ocorreu mesmo com uma leve queda no número de mulheres doadoras. Especialistas da Fiocruz explicam que o volume coletado não está diretamente atrelado à quantidade de doadoras, mas sim à produção individual de cada mulher e aos estímulos para a lactação.
Apesar do avanço, a quantidade de leite coletado ainda não é suficiente para atender a todos os bebês que necessitam do alimento no estado. Segundo a Fiocruz, seria preciso um aumento de pelo menos 20% na coleta para suprir a demanda atual dos hospitais com Bancos de Leite Humano (BLH).
Necessidade de expansão e criação de novos bancos de leite
Atualmente, o Rio de Janeiro conta com 18 Bancos de Leite Humano. No entanto, a Fiocruz destaca a carência dessas unidades em regiões que possuem UTIs neonatais, como a Baía de Ilha Grande, a Região Norte e a Região dos Lagos. A ampliação da coleta de doações é fundamental, mas o investimento na criação de novos BLHs nessas áreas é considerado essencial para garantir o acesso ao leite humano para mais bebês.
Histórias que inspiram a doação
A designer Damires Teixeira Pontes, mãe de gêmeos prematuros, relata a importância de ter tido acesso ao leite doado durante a internação dos filhos. Por não saberem sugar e com a sua produção de leite ainda insuficiente, o leite do banco foi vital para a sobrevivência dos bebês. A experiência a motivou a querer doar no futuro.
A engenheira civil Débora Cristina, por outro lado, transformou o descarte de leite excedente em doação. Após perceber que descartava parte do leite que produzia para o próprio filho, decidiu doar o que não era consumido, sentindo grande felicidade em ajudar outros bebês.
Doar leite materno não prejudica o bebê
Um receio comum entre as mães é que a doação de leite possa faltar para o próprio filho. No entanto, especialistas esclarecem que a doação é realizada quando a mulher está saudável, produz leite em volume superior às necessidades do seu bebê e garante que ele esteja plenamente atendido. O mecanismo de oferta e demanda na produção de leite assegura que a retirada do excedente para doação não compromete a alimentação do filho.
Fonte: G1
