Ventos Fortes Causam Tragédias e Interrompem Serviços Essenciais no Rio e São Paulo
Rajadas de vento superiores a 100 km/h atingiram o Rio de Janeiro e São Paulo na última quarta-feira (29), resultando em mortes, interrupção de transportes e extensos apagões. As tempestades deixaram pelo menos quatro mortos confirmados, derrubaram árvores e causaram transtornos significativos em diversas áreas dos estados.
No Rio de Janeiro, duas pessoas faleceram em Santa Teresa devido à queda de um muro. Em São Paulo, um homem morreu em Santos ao ser atingido por uma árvore, e outro em Cesário Lange quando uma árvore caiu sobre seu carro. O Poder360 apontou uma quinta vítima, mas o número confirmado permanece em quatro, conforme informações detalhadas.
A intensidade dos ventos foi registrada em aeroportos e estações meteorológicas, com rajadas de até 105,5 km/h no Galeão, no Rio, e impressionantes 124,9 km/h em Itaporanga, São Paulo. O Corpo de Bombeiros atendeu a dezenas de chamados para salvamentos, desabamentos e quedas de árvores, evidenciando a força da natureza.
Crítica à Gestão de Serviços Essenciais: Privatização e Cortes de Gastos em Foco
Especialistas e a reportagem apontam que a extensão da tragédia não se deve apenas à força dos ventos. A falta de inspeção, poda e manutenção adequadas em árvores, assim como o sucateamento da rede elétrica e a redução de equipes de resposta, são apontados como fatores cruciais que transformam incidentes isolados em desastres de grande escala.
A distribuição de energia no Rio de Janeiro é responsabilidade da Light, e em São Paulo, da Enel, após a privatização da Eletropaulo. Ambos os casos levantam questionamentos sobre a priorização do atendimento público quando a gestão está atrelada à rentabilidade de acionistas. A Light atribuiu os cortes a ocorrências externas, mas a responsabilidade de manter redes resilientes e equipes preparadas para intempéries é da concessionária.
Reflexos da Política Neoliberal em Serviços Públicos
A situação da Enel em São Paulo já demonstrou os efeitos da privatização, com bairros inteiros ficando sem energia por longos períodos após temporais. A economia em manutenção e pessoal resulta em um serviço que colapsa diante de eventos previsíveis, enquanto a população paga tarifas elevadas. As prefeituras também são criticadas por seguirem a mesma linha, com redução de equipes próprias, terceirização de serviços e abandono da manutenção urbana, apresentando mortes como fatalidades naturais.
Os sistemas de transporte, incluindo metrôs, trens, aeroportos e ônibus, também sofrem com a falta de investimentos em estruturas de proteção e planos de contingência, o que leva à paralisação simultânea diante de adversidades. A reportagem conclui que, embora não seja possível impedir fenômenos naturais, é possível evitar que árvores mal cuidadas caiam, que redes elétricas frágeis causem apagões e que o transporte público entre em colapso.
As mortes e os apagões são vistos como o resultado da combinação entre fenômenos naturais e uma política deliberada de privatizações, cortes de gastos, terceirizações e sucateamento dos serviços públicos. O chamado desastre climático expôs, mais uma vez, o desastre permanente gerado por governos com orientação neoliberal.
Fonte: g1
