Rio Surreal de Volta? Aluguéis Disparam e Superam R$ 15 mil em Bairros Cariocas; Entenda os Motivos

Rio Surreal de Volta? Aluguéis Disparam e Superam R$ 15 mil em Bairros Cariocas; Entenda os Motivos

Preços de Aluguel no Rio de Janeiro Voltam a Assustar Moradores O mercado imobiliário do Rio de Janeiro vive um momento de alta expressiva nos preços de aluguel, com valores que remetem ao período pré-Olimpíadas de 2016. Apartamentos de três quartos no Flamengo chegam a R$ 15.305, e imóveis menores em bairros como o Méier […]

Resumo

Preços de Aluguel no Rio de Janeiro Voltam a Assustar Moradores

O mercado imobiliário do Rio de Janeiro vive um momento de alta expressiva nos preços de aluguel, com valores que remetem ao período pré-Olimpíadas de 2016. Apartamentos de três quartos no Flamengo chegam a R$ 15.305, e imóveis menores em bairros como o Méier ultrapassam R$ 6.750. Essa escalada de preços, que outrora gerou o termo “Rio Surreal”, volta a preocupar cariocas e especialistas.

A disparada nos custos de locação residencial se manifesta em diversas regiões da cidade, com anúncios superando R$ 20 mil em áreas turísticas e se aproximando de R$ 10 mil em bairros menos centrais. Um apartamento de 120m² em Copacabana, por exemplo, está sendo ofertado por R$ 23 mil, evidenciando a gravidade do cenário.

Além da demanda aquecida, redução na oferta de imóveis e juros elevados, a influência do aluguel por temporada, impulsionado por plataformas como o Airbnb, é apontada como um dos principais motores dessa nova onda de encarecimento. Conforme reportagem do O Globo, o fenômeno “turistificação” da cidade pode estar expulsando moradores locais.

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A Influência do Aluguel por Temporada nos Preços Residenciais

Especialistas apontam que a crescente popularidade do aluguel por temporada, especialmente através de plataformas como o Airbnb, tem um impacto direto na redução da oferta de imóveis para locação de longo prazo. Geisa Bordenave, professora da Uerj, explica que investidores buscam a maior lucratividade, optando por aluguéis temporários em detrimento da moradia tradicional. “O imóvel vai deixar de ser destinado à moradia para dar lugar a essa lógica do aluguel por temporada”, observa.

Um estudo da FGV revelou que o Airbnb movimentou mais de R$ 12 bilhões no Rio em 2025, um aumento de 21% em relação ao ano anterior. Com cerca de 60 mil imóveis anunciados, o Rio figura entre os maiores mercados globais de aluguel por temporada. A “turistificação” da cidade, onde áreas passam a priorizar o recebimento de turistas, é um processo que pode ser combatido com regulação, como a proibição de empreendimentos 100% dedicados a aluguéis de curto prazo.

Propostas para Equilibrar o Mercado Imobiliário

Carlos Frederico Rocha, professor da UFRJ, sugere a criação de uma taxa de permanência para turistas, a ser cobrada pelo proprietário e repassada ao município, com o objetivo de equiparar os custos do aluguel de curto prazo ao residencial tradicional. Ele critica a política de “grandes eventos” da prefeitura, que, segundo ele, transforma a cidade em um “parque de diversões”, elevando custos para os moradores.

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A professora Geisa Bordenave também defende a regulação do setor, propondo medidas como a limitação da percentagem de imóveis destinados a aluguel de curta temporada em condomínios residenciais. O objetivo é garantir um equilíbrio entre o desenvolvimento do turismo e os interesses da população local.

Mercado em Ebulição e Deslocamento da Demanda

Dados do Quinto Andar indicam que o aluguel no Rio subiu 14,6% nos últimos 12 meses, superando a média nacional. O Centro registrou a maior valorização (48,8%), seguido por Del Castilho e Jardim Oceânico. Bairros como Leblon, Ipanema e Jardim Oceânico continuam sendo os mais caros.

Coriolano Lacerda, do Grupo OLX, explica que a pressão sobre os aluguéis não se restringe às áreas nobres. “Quando parte dos moradores já não consegue absorver os preços de determinadas regiões, a demanda se desloca para bairros próximos”, gerando um efeito de transbordamento e elevando os valores também em áreas intermediárias.

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Debate sobre a Causa Principal da Alta nos Aluguéis

Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi Rio, contesta a tese de que o aluguel por temporada seja o principal responsável pela alta generalizada. Ele argumenta que o mercado residencial está aquecido pela falta de oferta e pela locação ser vista como uma solução de moradia interessante, com preços subindo mesmo em bairros não turísticos.

Atualmente, o Rio não possui uma lei específica para aluguel por temporada, mas um projeto de lei tramita na Câmara Municipal para regulamentar o setor, abordando privacidade, tributação e segurança em condomínios. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também estabeleceu que a liberação desse tipo de locação em prédios residenciais requer aprovação de dois terços dos moradores em assembleia.

O Airbnb nega que o aluguel por temporada seja responsável pelo aumento dos aluguéis tradicionais, enquanto a Prefeitura afirma estar implementando medidas para estimular a produção de moradias permanentes.

Fonte: O Globo

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