Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta Rio como caso emblemático de infiltração do crime no poder público
A última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública elege o estado do Rio de Janeiro como um exemplo notório da infiltração do crime organizado no poder público. Em um capítulo focado na letalidade policial e na chamada “captura institucional”, a publicação cita a prisão de ex-deputados como TH Joias e Rodrigo Bacellar.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo Anuário, sugere que os episódios no Rio indicam uma estratégia deliberada de facções para cooptar policiais, autoridades e representantes eleitos. O objetivo seria interferir na atuação do Estado, antecipar operações policiais e proteger membros de grupos criminosos.
A análise ressalta que o crime organizado não se limita ao controle territorial ou à violência armada, mas busca ativamente acesso a informações, proteção política e capacidade de interferência nas decisões estatais. O caso do Rio é citado como o mais emblemático, mas não o único, com menção a episódios em São Paulo que revelam amplas redes envolvendo policiais e crime organizado.
Captura institucional pode comprometer políticas de segurança
O Anuário define a cooptação de agentes públicos como um problema que transcende a esfera disciplinar, podendo afetar diretamente a formulação e execução de políticas de segurança. Embora o Legislativo seja citado, a pesquisa foca em uma análise qualitativa de episódios representativos, sem apresentar um levantamento quantitativo de parlamentares investigados.
Infiltração em forças de segurança e antecipação de operações
A infiltração descrita pelo documento também atinge as forças de segurança. O Anuário menciona investigações da Polícia Federal que levaram à prisão de policiais militares acusados de fornecer informações sobre operações a facções. Esses casos indicam que a cooptação de agentes públicos configura uma estratégia sistemática, e não um desvio individual pontual, comprometendo a efetividade das políticas de segurança em diversos níveis federativos.
Corrupção e violência policial conectadas pela fragilidade institucional
O capítulo sobre captura institucional está inserido em uma análise sobre letalidade policial, argumentando que o uso excessivo da força, a corrupção de agentes e a infiltração criminosa estão interligados. Corporações com mecanismos frágeis de supervisão e responsabilização tornam-se mais vulneráveis tanto ao abuso da força quanto à captura por interesses criminosos. Quanto menor a capacidade de supervisão, maior o espaço para práticas arbitrárias e redes de proteção.
Operação Contenção e a necessidade de investigação de redes
A análise sobre o Rio de Janeiro inicia com a Operação Contenção, que em 2025 resultou na morte de 117 civis, representando 15% das mortes provocadas pelas polícias fluminenses naquele ano. O Anuário defende que as apurações sobre infiltração criminosa e violência policial devem ir além de atos individuais. Recomenda-se uma estratégia ampla de integridade institucional, capaz de identificar redes de proteção, fluxos financeiros e conexões entre agentes públicos e organizações criminosas, com atuação articulada entre diversas instituições como Receita Federal e COAF.
Fonte: G1
