Rio de Janeiro: Ex-governadores e políticos com histórico de polêmicas buscam retorno às urnas em outubro

Rio de Janeiro: Ex-governadores e políticos com histórico de polêmicas buscam retorno às urnas em outubro

Velhos conhecidos da política fluminense ressurgem em meio a cenário eleitoral inusitado no Rio de Janeiro Com as eleições estaduais se aproximando, o Rio de Janeiro apresenta um cenário político singular, marcado pela presença de figuras proeminentes que, apesar de históricos enroscos com a Justiça, buscam retornar ao poder. A disputa eleitoral em outubro ganha […]

Resumo

Velhos conhecidos da política fluminense ressurgem em meio a cenário eleitoral inusitado no Rio de Janeiro

Com as eleições estaduais se aproximando, o Rio de Janeiro apresenta um cenário político singular, marcado pela presença de figuras proeminentes que, apesar de históricos enroscos com a Justiça, buscam retornar ao poder. A disputa eleitoral em outubro ganha contornos ainda mais peculiares devido à instabilidade institucional e ao retorno de ex-governadores e ex-presidentes da Câmara à cena política.

Entre os nomes que orbitam as urnas estão Anthony Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Wilson Witzel, além do ex-prefeito Marcelo Crivella e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Quatro deles já ocuparam o cargo de governador do estado, e todos, de alguma forma, enfrentaram investigações e processos judiciais, o que não os impede de tentar influenciar o pleito, seja diretamente, como candidatos, ou através de representantes.

A estratégia desses políticos parece apostar na falta de memória do eleitorado, buscando um palanque para, como analisam cientistas políticos, não apenas vencer eleições, mas também recuperar capital político para negociações futuras e composição de governos. A busca por um novo capítulo em suas biografias políticas é evidente, com alguns se apresentando como vítimas do sistema ou apostando em discursos radicais para reconquistar a confiança popular.

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Discursos anti-sistema e apostas em nichos específicos marcam campanhas de figuras controversas

Wilson Witzel, por exemplo, que teve seu mandato abreviado por impeachment, se posiciona como candidato antissistema e resgata o slogan de campanha “deixe o juiz trabalhar”. Ele tem focado na segurança pública, tema de alta relevância para os eleitores, e tem percorrido o estado ao lado do ex-capitão do Bope, André Monteiro, que almeja uma vaga no Senado.

Anthony Garotinho, após ter uma decisão que o impedia de se candidatar revertida, retorna à cena política com uma campanha virtual e se autointitula “trabalhista liberal”. Ele tem disparado denúncias contra desafetos, inclusive familiares, e mantém uma rivalidade pública com Sérgio Cabral, com quem troca acusações que já resultaram em processos judiciais.

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A influência de figuras com histórico de condenações e a aposta em parentes

A influência de políticos com histórico de condenações se manifesta também na estratégia de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, que buscam eleger parentes para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Cabral lança seu filho, Marco Antônio, enquanto Pezão aposta em seu enteado, Betão Pezão. Apesar das condenações que somam décadas, Cabral insiste em atuar como cabo eleitoral, buscando apoio em sua trajetória política.

Marcelo Crivella, ex-prefeito do Rio, condenado por abuso de poder econômico e político, também busca reverter sua inelegibilidade e retornar ao cenário eleitoral. Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, tenta se candidatar por Minas Gerais, mesmo com bens bloqueados e histórico de rejeição em eleições anteriores. A estratégia de muitos desses políticos é explorar a desimportância do voto proporcional para o eleitor, facilitando a obtenção de apoio.

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Cenário de “mais do mesmo” no Rio de Janeiro

O cenário político fluminense, com a volta dessas figuras conhecidas, reforça a percepção de que a memória popular tem validade limitada. Pesquisas indicam que uma parcela significativa dos brasileiros não se lembra em quem votou em pleitos anteriores, o que abre espaço para esses políticos tentarem reescrever seus roteiros.

A atuação de Cabral e Pezão, por exemplo, com a candidatura de parentes, ilustra essa tentativa de manter a influência política. Enquanto Pezão reconhece ter menos força para grandes voos, mas mantém articulações, Cabral, mesmo sendo uma figura considerada “tóxica” devido às condenações, insiste em sua atuação como cabo eleitoral.

Em suma, o que se desenha no Rio de Janeiro é um cenário de “mais do mesmo”, onde protagonistas já manjados tentam, mais uma vez, influenciar o destino político do estado, apostando em estratégias que, historicamente, nem sempre resultaram em desfechos positivos para a população.

Fonte: VEJA

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