Trajetória política de Flávio Bolsonaro
Flávio Nantes Bolsonaro, 45 anos, advogado e empresário, dedicou mais da metade de sua vida à política. Sua jornada no cenário público começou cedo, aos 21 anos, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. Em dezembro, ele anunciou que foi escolhido como o herdeiro político do clã Bolsonaro para concorrer à Presidência da República.
Nascido em 30 de abril de 1981, em Resende (RJ), Flávio é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua posição de primogênito lhe rendeu o apelido de “01”, uma referência à tradição militar, adotada pelo pai para identificar os filhos.
Flávio e seus irmãos Carlos e Eduardo cresceram em um condomínio na zona norte do Rio, levando uma vida de classe média. Apesar de estudarem em escolas particulares e aproveitarem momentos de lazer na praia, nenhum deles seguiu os passos do pai na carreira militar. A primeira eleição de Flávio ocorreu em 2002, para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando Jair Bolsonaro já era deputado federal há mais de uma década.
A candidatura presidencial e os desafios da aliança
Confirmado como candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL) durante convenção em São Paulo, Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de ampliar sua base de apoio. A federação União Progressista (PP e União Brasil) indicou que permanecerá neutra na disputa. A principal aposta da campanha agora é fechar um acordo com o Republicanos.
A dificuldade em formar uma coalizão mais ampla remete à campanha de Jair Bolsonaro em 2018, quando o então candidato do PSL também buscou a Presidência sem o respaldo de legendas mais tradicionais. Naquela época, o discurso antipolítica era forte, mas, anos depois, o governo buscou a parceria de figuras do Centrão para garantir governabilidade.
Um ‘Bolsonaro moderado’ em busca de espaço
Após anunciar sua pré-candidatura em dezembro de 2023, Flávio apresentou-se como uma versão mais moderada de seu pai. “Sempre pediram um Bolsonaro mais moderado. Eu sempre fui assim, eu sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado, centrado”, afirmou a empresários. No entanto, nas últimas semanas, seu discurso endureceu, com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), após ser proibido de visitar o pai na prisão.
Em uma reunião com diplomatas em Brasília, Flávio repetiu informações falsas sobre as urnas eletrônicas, já desmentidas pelo TSE. Este episódio lembrou a reunião de 2022 em que seu pai lançou suspeitas infundadas sobre o sistema de votação, o que resultou em sua inelegibilidade.
Pautas conservadoras e controvérsias ao longo da carreira
Desde seu primeiro mandato, Flávio Bolsonaro apostou em pautas ligadas à segurança pública e ao conservadorismo. Em 2014, propôs um projeto para criar o Programa Escola Sem Partido, que não obteve sucesso. Dois anos depois, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro, terminando em quarto lugar.
Um discurso de 2007 na Alerj, no qual criticou a estigmatização das milícias, voltou a gerar debate. Na ocasião, ele descreveu a milícia como um conjunto de policiais buscando expurgar criminosos da comunidade. Em 2024, Flávio esclareceu que, na época, defendia policiais e que o contexto era diferente, afirmando que hoje o miliciano é equivalente a um traficante e que ele não defende milícia.
No Senado, em 2023, Flávio sugeriu uma alteração na tipificação de atos do crime organizado, propondo distinções entre “milícia” e “esquadrão”, o que gerou controvérsia.
Investigações e o legado familiar
Flávio chegou ao Senado em 2018, mesmo ano em que seu pai se tornou presidente, sendo eleito com mais de 4,3 milhões de votos. Ele é apontado por aliados como o principal herdeiro do capital político de Jair Bolsonaro, embora essa posição seja alvo de disputas familiares.
O projeto presidencial enfrentou turbulências, incluindo o caso “Dark Horse” e desavenças expostas por Michelle Bolsonaro, que foram posteriormente apaziguadas. Flávio também foi investigado pelo Ministério Público em 2020 por suspeita de comandar um esquema de “rachadinhas” e lavagem de dinheiro, mas as provas foram anuladas devido ao foro privilegiado. Durante a investigação, comprou uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília, com parte do valor financiado pelo Banco de Brasília (BRB), tendo quitado o empréstimo antecipadamente.
Além da política, Flávio atuou como empresário, tendo uma franquia da Kopenhagen entre 2015 e 2021, que também foi alvo de investigações por suspeita de lavagem de dinheiro. Ele é casado com Fernanda Bolsonaro e tem duas filhas.
Fonte: g1.globo.com
