Advogado critica política de segurança no Rio 19 anos após operação no Alemão
Dezenove anos se passaram desde a operação policial no Complexo do Alemão, em 2007, que resultou na morte de 19 pessoas. Apesar do tempo, a política de segurança pública do Rio de Janeiro, segundo o advogado João Tancredo, que representou as famílias das vítimas e obteve a condenação do Estado, permanece a mesma.
Tancredo, conhecido por sua atuação na defesa dos direitos humanos, afirma que a lógica do confronto armado continua predominando nas ações policiais. Essa abordagem, segundo ele, falha em trazer segurança efetiva e, pelo contrário, perpetua um ciclo de violência e mortes.
A operação de 2007, que visava combater o tráfico de drogas, tornou-se um marco trágico na história da segurança pública carioca. O caso ganhou repercussão nacional e internacional, levantando debates sobre a letalidade policial e a necessidade de novas estratégias.
Condenação do Estado e a persistência do modelo
O advogado obteve a condenação do Estado do Rio de Janeiro pela ação, um marco importante para as famílias das vítimas. No entanto, Tancredo lamenta que, mesmo após essa decisão judicial, as práticas policiais não tenham sofrido alterações significativas.
Ele argumenta que a ênfase em confrontos e intervenções violentas não resolve os problemas estruturais da segurança pública. A perspectiva de uma segurança baseada na inteligência, na prevenção e no diálogo parece distante, segundo o advogado.
Um ciclo de violência que se repete
A declaração de Tancredo reforça a preocupação de que a cultura do confronto siga como o principal método de atuação das forças de segurança. Essa política, que prioriza a força em detrimento de outras abordagens, é vista como um obstáculo para a construção de uma sociedade mais segura e justa.
A análise do advogado lança um olhar crítico sobre os desafios da segurança pública no Rio de Janeiro, apontando a necessidade urgente de uma reavaliação profunda das estratégias adotadas, com foco na proteção da vida e na garantia dos direitos humanos.
Fonte: G1
