Lula intensifica ações no Rio de Janeiro aproveitando vácuo político
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem realizado uma série de agendas estratégicas no Rio de Janeiro, visando capitalizar a atual fragilidade do palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) em sua base eleitoral.
A estratégia petista busca explorar a percepção positiva em torno da gestão do desembargador Ricardo Couto como governador interino. Segundo pesquisas internas, a condução do Palácio Guanabara por Couto, marcada por auditorias e exonerações de funcionários suspeitos, tem sido bem recebida pelo eleitorado fluminense.
O objetivo principal é diminuir a vantagem que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) detém no estado, diferença que foi de 14 pontos percentuais em 2022 e 36 pontos em 2018. A campanha de Lula considera a redução dessa disparidade uma conquista significativa.
Lula e Couto assinam acordos importantes para o Rio
Durante sua visita, Lula participou de cinco eventos ao lado de Couto, com destaque para a assinatura do termo de adesão do Governo do Rio ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados). Este programa permite o refinanciamento da dívida estadual com a União, mediante contrapartidas em áreas como educação. A dívida de R$ 210,6 bilhões do estado cairá para R$ 168,5 bilhões, com uma redução mensal significativa nas parcelas.
Adicionalmente, foram assinados convênios do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), destinados a obras em três favelas da capital, totalizando R$ 700 milhões em investimentos. Lula ressaltou a importância do trabalho de Couto em “moralizar a política e acabar com a corrupção no Rio de Janeiro”.
Enfraquecimento do grupo bolsonarista abre espaço para Lula
O cenário político fluminense tem sido marcado pelo enfraquecimento do grupo ligado a Flávio Bolsonaro. O governador Cláudio Castro (PL), aliado de Flávio, desistiu de sua pré-candidatura ao Senado após investigações da Polícia Federal. Paralelamente, o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo, teve seus planos de assumir o Palácio Guanabara frustrados.
O desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, assumiu o governo em março após a renúncia de Castro e aguarda decisão do STF sobre a definição do próximo governador até dezembro. A presença de Couto no cargo cria um ambiente político menos adverso para o PT em comparação com as eleições presidenciais anteriores, quando o partido enfrentou dificuldades significativas no estado.
Histórico de votação aponta desafio para o PT no Rio
Nas eleições de 2018, Fernando Haddad (PT) não contou com um palanque forte no Rio, enquanto em 2022, Cláudio Castro (PL) venceu em primeiro turno com expressiva votação, superando Marcelo Freixo (PSB), então aliado de Lula.
Fonte: FOLHAPRESS
