Parentes de vítimas do Cefet cobram diretores por omissão após pedido de arquivamento da investigação

Parentes de vítimas do Cefet cobram diretores por omissão após pedido de arquivamento da investigação

Investigação sobre feminicídio no Cefet-RJ segue após pedido de arquivamento pela Polícia Civil Cinco meses após a Polícia Civil pedir o arquivamento do caso das mortes de duas funcionárias do Cefet-RJ, em novembro do ano passado, o Ministério Público (MP) mantém a investigação ativa. A defesa das famílias das vítimas alega que a instituição tinha […]

Resumo

Investigação sobre feminicídio no Cefet-RJ segue após pedido de arquivamento pela Polícia Civil

Cinco meses após a Polícia Civil pedir o arquivamento do caso das mortes de duas funcionárias do Cefet-RJ, em novembro do ano passado, o Ministério Público (MP) mantém a investigação ativa. A defesa das famílias das vítimas alega que a instituição tinha conhecimento da perseguição sofrida pelas servidoras e cobra a responsabilização dos diretores por omissão.

As vítimas, a pedagoga Allane de Souza Pedrotti Matos e a psicóloga Layse Costa Pinheiro, foram mortas pelo colega de trabalho João Antônio Miranda Tello Gonçalves, que cometeu suicídio em seguida. O crime ocorreu no campus do Cefet/RJ no Maracanã, Zona Norte do Rio.

O pedido de arquivamento do inquérito policial foi rejeitado pelo MP com base em uma petição das famílias, que apresentou documentos comprovando a ciência da direção do Cefet sobre as ameaças e o temor das funcionárias. O MP também determinou a investigação do suicídio do agressor e sua possível ligação com comunidades online que incitam a misoginia, além da perícia nos celulares das vítimas e do atirador.

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Famílias clamam por justiça e responsabilização da direção do Cefet

João Gabriel Costa Pinheiro, irmão de Layse, expressou o desejo de que a investigação esclareça os fatos e leve à responsabilização de quem foi negligente. “Seria uma dupla violação perder minha irmã e, além de tudo, ver a injustiça e a irresponsabilidade saírem impunes”, afirmou.

Segundo relatos, tanto Allane quanto Layse haviam reportado inúmeras vezes à direção do Cefet o medo que sentiam devido às ameaças de João. Trocas de mensagens anexadas ao processo mostram as vítimas comunicando seu temor a colegas e à própria instituição sobre o comportamento do agressor.

Em uma carta-denúncia enviada à direção-geral e à corregedoria do Cefet em agosto de 2023, mais de um ano antes do crime, Allane descreveu o medo que sentia ao cruzar com João. “Minha pressão baixou, provavelmente pelo medo da natureza daquela perseguição em saber onde eu estava e querer me encontrar pessoalmente de todas as formas”, escreveu.

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Direção teria sido alertada sobre histórico de perseguição

Alline de Souza Pedrotti, irmã de Allane, criticou a inércia da gestão do Cefet. “Tendo ele [João] um histórico de perseguição às duas vítimas e tendo a direção e a corregedoria recebido essas denúncias, o dever da gestão seria primeiro monitorá-lo e depois proteger as vítimas. Nada foi feito”, declarou, lamentando também a falta de um protocolo de segurança para evitar a repetição de tais casos.

Testemunhas relataram na delegacia que João não aceitava ser chefido por mulheres, o que levou a investigação a tratar o caso como feminicídio. No dia do crime, ele efetuou os disparos contra as duas funcionárias na diretoria de ensino e, em seguida, tirou a própria vida.

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O Cefet/RJ informou ter apresentado ao Ministério Público Federal documentos que comprovam o arquivamento de um inquérito civil, após prestar esclarecimentos sobre protocolos de segurança, prevenção à violência e acompanhamento psicossocial. A instituição reiterou que a investigação criminal segue em andamento na Polícia Civil.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil foram procurados, mas não forneceram mais detalhes sobre o andamento da investigação criminal até o fechamento da matéria.

Fonte: G1

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